sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Lampejo de felicidade


Eu me sentei de frente a ela. Não sabia muito bem o que fazer com as mãos e com a direção do meu olhar. Encarei a parede por um momento, depois a ponta dos dedos e por fim encarei o seu olhar. Havia um brilho estranho na sua expressão. Por fim, falei as palavras que vinham travando em minha garganta há alguns dias.
- Eu amo você.
Senti de longe seus ombros retesarem.
- Eu te amo e isso está explícito em todos os meus atos, em todos os sinais que meu corpo revela.
Meus braços pedem por seu abraço, minhas mãos querem percorrer os contornos do corpo teu, meus olhos querem fixar nas suas órbitas e minha boca clama pelo toque dos seus lábios.
Respirei fundo e continuei.
- Eu te amo, e isso é evidente. Mas eu não gosto mais de você. Eu gosto mais de mim nesse momento. Agora o seu nome tem um gosto estranho em minha boca, e a lembrança do seu rosto me traz borboletas no estômago. O som da sua voz maltrata meus ouvidos, e não é isso que eu quero, não é isso que eu desejo pra nós dois. Prefiro te amar a distância e amar apenas a sua lembrança, do que amar você de perto e não gostar de você como você merece.
Pareceu uma eternidade até que ela respondesse alguma coisa.
- Mas sempre foi assim!
Ela jogou as palavras sobre mim como se fossem pedras.
- Sempre foi assim, poxa. Você está louco pra agir dessa maneira?
Eu tive que sorrir. Um sorriso cansado, de canto de boca, mas foi a única reação que eu consegui esboçar antes de responder.
- Você acha que eu estou louco? Loucura é você fazer a mesma coisa, todo maldito dia, e ainda assim esperar que a porcaria da nossa vida mude. Isso é loucura. Você fica parada esperando, esperando.
E quando você notar, já terão passados todos os anos que você prometeu que seriam bons. E os melhores dias e as melhores noites terão ficado pra trás. Você vai levantar do sofá e não vai se encontrar fora dele. O sol vai queimar seus olhos, o som do vento será ensurdecedor. É isso que você espera tanto que aconteça? É isso que você acha normal? Quer continuar assim até quando?
Eu suspirei uma ultima vez antes de ir embora.
-Você não tem ideia do que seja loucura.  Isso sim é loucura...

Apanhei minhas poucas coisas e sai. As vezes, por mais que você queira, é impossível continuar. Fechei a porta as minhas costas e fui sem olhar para trás. Não deveria ser indolor abandonar algo que realmente nunca foi seu? John Green não disse algo parecido com isso? Talvez eu esteja me confundindo, mas era assim que eu me sentia. Aquilo nunca havia sido meu de verdade. Talvez um breve lampejo de felicidade houvesse feito com que acreditássemos. Mas de verdade, foi apenas mais um lampejo.

domingo, 2 de novembro de 2014

Madrugada fria

Eu tentei.

Tentei te fazer feliz a cada minuto, cada segundo de cada dia que passamos juntos.

Você conheceu o perfumes das flores que te levei, viu as cores das quais eu pintei o seu céu, cada coração de papel que deixei espalhado em sua cama.

Eu fui feliz em todas as noites que dormi na sua cama, ouvindo você suspirar e dizer que me ama, enquanto o mundo parava lá fora.

E agora eu vou embora, deixando a cama macia, no meio da madrugada fria, pra quem sabe assim você entender o que eu fui para você.

Há sempre uma esperança

Há sempre uma esperança

Esperança de dias melhores, de sorrisos maiores e abraços sinceros

Existe sempre a esperança do perdão, de que alguém lhe estenda a mão, que tenhamos dias de sol


Sempre haverão motivos para acreditar, razões para não nos fazer chorar, pequenas alegrias capazes de nos fazer sorrir

Haverá a esperança no milagre, esperança de que tudo acabe, e que a noite, você consiga dormir

Aquele desejo quase louco de reencontrar nossos mortos, de abraçar os entes queridos, recuperar o tempo perdido, tempo que um dia escorreu pelas nossas mãos


Vai sempre haver a esperança de chamar um amigo de irmão e de entregar o coração a alguém que um dia nem existiu

Sempre vai haver.

O motivo a esperar, a esperança em amar, a fé em transformar em calor o frio, no coração que sempre existiu, no peito daqueles que se amam.