sábado, 26 de dezembro de 2015

O Homem da Meia Noite

O Homem da Meia Noite


"Mas se todos fazem”...
(Argumento, Francisco Alvim).

"- Qual a mais forte das armas,
A mais firme, a mais certeira?
A lança, a espada, a clavina,
A pistola? O bacamarte?
A espingarda, ou a flecha? 
O canhão que em praça forte
Faz em dez minutos brecha?
- Qual a mais firme das armas?
O terçado, a fisga, o chuço,
O dardo, a maça, o virote? 
A faca, o florete, o laço, 
O punhal, ou o chifarote?... 
A mais tremenda das armas,
Pior que a durindana,
Atendei meus bons amigos:
Se apelida: - A língua humana!"
(Fagundes Varela)

Um dia eu vi um anúncio no jornal: “Madame Aldiva, leio sua sorte, prevejo seu futuro, adivinho seu passado”.
É, eu estava realmente desesperado.
Liguei para o número que estava no anúncio, e uma voz feminina atendeu.
-Alô.
-Madema Aldiva? Perguntei.
-Sim, quem é? - Ela respondeu com sua voz de gralha.

Desliguei o telefone na hora. Se ela não sabe nem quem está falando do outro lado da linha, como ela vai adivinhar o meu futuro?

Na mesma hora disquei para um jornal e pedi pra colocar um anúncio. Era um anúncio simples, afinal eu não podia me permitir grandes luxos.
Pedi que simplesmente escrevessem:

"O VIDENTE"

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Velho amigo

E com a casa ainda acordada, eu procurei por você.
Sabia que não te encontraria ali, mas ainda assim procurei.
Quem sabe o que busquei?
Quem sabe por quem chorei?

Abri um álbum velho de fotografias.
E me dei conta que nunca vi sua caligrafia.
Se era uma letra borrada, arrastada no canto.
Se tinha um brilho antigo, se possuía algum encanto.

No calendário o dia é 25.
Pro fim do ano falta pouco mais do que 5.
Em 5 dias tanta coisa pode acontecer.
Em 5 dias há mais chance de te ganhar do que te perder.

Mas e você velho amigo, por onde tem andado.
Sei que teu passo lento revela que tem estado cansado.
Cansado das andanças tão loucas do mundo.
Querendo parar, dar um lar pra esse coração vagabundo.

E deixá-lo em casa perto do fogão.
Daquela mesa grande, juntando os irmãos.
Esperar a meia noite, enquanto a noite é fria.
Abraçar todo mundo, que te espera com alegria.

Feliz Natal meu velho.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

30 anos

Dezembro de 2014
"Você vai mudar o mundo garoto.
E que no ano que vem eu volte aqui para lhe falar mais uma vez que mais um ano se passou.
E já teremos 30, assim tão rápido...


Tão rápido...


Eu não ganhei meu primeiro milhão antes dos 30.


Não comprei uma casa, não escrevi um livro, não me tornei pai.


Não abri uma empresa, não fui morar sozinho, não viajei sozinho para um outro país.


Não vi a neve, nem uma aurora boreal.


Por vezes pensei em aprender a tocar violão, mas desisti.


Pensei em desistir de tudo por mais de uma vez, e também desisti.


Deixei de ligar para pessoas com quem eu queria conversar, somente pelo medo de que elas não quisessem conversar comigo.


Reconquistei pessoas, simplesmente para perdê-las mais uma vez.


E com tudo isso se passou 30 anos.




Mas eu comprei um carro, viajei de avião, sentei aos pés do Cristo e me senti tão pequeno diante de tanta grandeza.


Vi Copacabana da janela do meu quarto sentei ao lado de Drummond, senti a água de Ipanema e Angra dos Reis.


Acampei no topo de montanhas e vi todas as constelações que poderiam ser vistas com um céu limpo em uma noite de lua cheia.


Passei noites acordado sentado na calçada junto as pessoas que vão estar ao meu lado durante a eternidade.




Não escrevi um livro, mas escrevi contos e poemas que por diversas vezes fizeram alguém suspirar, e por diversas vezes, fizeram com que eu suspirasse.


Andei de moto a mais de 200 km/h. Vi todas as coisas passando tão rápido ao meu lado que me senti mais frágil do que imaginava ser.


Encontrei pessoas uma vez na vida, que me fizeram um bem maior, do que algumas pessoas que eu encontro todos os dias nunca irão fazer.


Me formei. Fiz MBA. Comecei a dar aulas. Dei palestras para engenheiros. Fui aplaudido. Fui elogiado. Me agradeceram. Pediram mais. Pediram pra ficar. Pediram pra voltar.


Fiz meus textos. Fiz meus poemas. Fiz história.


E a história é escrita pelos vencedores, não importa o lado que eles estejam, o certo ou o errado.


Mas nós estamos do lado certo né? Nós somos os mocinhos.


Estamos fazendo a coisa certa, estamos vencendo. Certo?


Eu espero que sim, garoto. Eu espero que sim.





Feliz Aniversário.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Hoje cedo

"Hoje cedo
Quando eu acordei e não te vi
Eu pensei em tanta coisa
Tive medo
Ah, como eu chorei
Eu sofri
Em segredo
Tudo isso
Hoje cedo...

Mais um ano vai chegando ao fim, e mais uma vez eu estou sem você.

Não existe o toque da sua mão para me acalmar, ou qualquer outra coisa que fazíamos juntos e que me trazia paz.

As vezes esbarro em você em uma das fotografias que mandamos revelar no inverno passado, e isso traz pra dentro de mim uma tempestade de lembranças, de cheiros e gostos que costumávamos compartilhar naquele sofá apertado.

Fico pensando, e pensando, e ano passado foi assim também, e quem sabe como será no próximo? Você estará aqui, ou eu estarei aí com você?

Tudo fica tão vago essa hora do dia...

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Preenchimento

O vazio que eu sinto tem nome, sobrenome e endereço.
Tem cor dos olhos e cabelo.
Tem aquele jeito peculiar de me pegar pela mão.


O vazio que eu sinto tem o tom de voz que me acalma.
Tem doçura, suavidade e dureza.
Sabe usar as palavras, ficar em silêncio e contemplar a beleza.


O vazio que eu sinto não tem hora nem lugar.
É toda hora e todo lugar.
É caminhando na calçada, de dia, de madrugada.

O vazio que eu sinto só é preenchido por você.


Você faz muita falta...

domingo, 1 de novembro de 2015

Magia

Me apaixono por todas as formas de magia existentes.
Pela palavra, pela música, poesia.
Me apaixono pelo sol que nasce e pelas noites de luar.
Me apaixono pelos dias negros de chuva e por cada gota que toca a terra.
A magia existente nos encontros, sorrisos e lembranças.
Pela lágrima que escorre pelo rosto durante um pensamento bom.
Eu me apaixono pela simplicidade do gesto, pela fineza do trato, na delicadeza com que as flores desabrocham.
Eu me apaixono todos os dias por você.
E espero que se apaixone todo dia por mim.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Texto de Aniversário

"Acho que... prefiro me lembrar de uma vida desperdiçada com coisas frágeis, a uma vida gasta evitando a dívida moral"...



Você gostou tanto dessa frase que eu não tive como iniciar o seu texto de outra forma.



Você não me pediu nada, e eu não prometi nada. Disse que escreveria seu texto de aniversário, assim como poderia dizer que te compraria um cartão barato em um bazar qualquer.



Também disse a você, que pensei em escrever um poema.



Mas poemas têm rimas, são doces, suaves, tem cadência, tem lógica.



E você não é nada disso.



Você é ilógica.



Você é tempestade e brisa suave. É tormenta e calmaria. É ódio e perdão.



Por isso, Gaiman consegue iniciar seu texto tão bem. Você ama as coisas frágeis. Você se apega a elas como se elas não fossem acabar... Mas, elas acabam. E você sabe disso, Deus como você sabe.



A chama da vela acessa por segundos enquanto o vento insiste em soprar por todos os lados, o perfume da flor de papel feita as pressas, o sorriso cúmplice entre palavras.



E mesmo assim, mesmo amando as coisas frágeis, esperando pelo momento delas se despedaçarem, você consegue ser feliz. E irradia felicidade, e amor, e esperança, mesmo que não saiba, mesmo que não queira.



Que sua vida seja assim. Amando aquilo que os outros não sabem amar, desejando aquilo que todos desistiram de buscar, encontrando o que os homens normais nunca foram capazes de encontrar.



Traduzo meu único desejo usando minhas próprias palavras:



"Garota de vidro, não deixe que o mundo te faça em pedaços."




Feliz aniversário.

domingo, 18 de outubro de 2015

Gratidão

Devemos ser gratos aos erros da nossa vida. As grandes decepções, aos fracassos.

Ser gratos por tudo de errado que aconteceu, pois sem isso, não estaríamos onde estamos agora.

A gratidão à falha é uma dádiva. Agradeça a quem te machucou, a quem te fez sofrer. 

Um dia sentaremos em uma grande mesa e colocaremos as nossas cartas, e eu garanto que vou ter um par de ases nas mãos.

domingo, 4 de outubro de 2015

Vamos embora

E até quando vamos querer as mesmas coisas, sonhar os mesmos sonhos, planejar os mesmos planos?

Quando vamos deixar de saber o que todo mundo sabe, ou querer o que todo mundo quer?

E quando vamos começar a girar esse mundo e fugir dos nossos pontos de estagnação?

Não é a velocidade, é a direção que importa. E sendo assim, qual a direção que estamos seguindo?

Percorrer os mesmos caminhos não vai nos levar a novos destinos. 

Aquela trilha amassada já levou muita gente ao mesmo lugar. 

E a pergunta é: você quer chegar ao mesmo lugar que eles? Quer a mesma zona de conforto deles, ou quer criar sua própria trilha?

Se quiser o mesmo caminho, talvez encontre o que procura.

Se quiser um caminho novo, eu te canto uma canção:

"Então vem, vamos embora, que esperar não é saber.
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer..."

Vamos embora?

A distância entre dois pontos

A gente começou a namorar no instante em que nos conhecemos, na primeira frase, na primeira mensagem.

É claro que nós não sabíamos disso. 

Nenhum dos dois sabia. Um estava perdido e o outro tentando se encontrar
.
Mas não confunda estar perdido com tentar se encontrar. 

São coisas totalmente diferentes, ainda que parecidas.

Mas foi assim que começamos.

A gente se apaixonou no momento em que falamos oi.

Começamos de uma maneira suave e simples. 

Duas pessoas que precisavam um do outro, mas não faziam ideia disso.

E começamos a sentir alegria na presença e tristeza na ausência.

- Mas o que está acontecendo comigo? - pensamos...

Começamos a sentir que aquele bom dia, aquele sorriso fazia falta. 

Começamos a corar com os elogios e suspirar na hora de dizer boa noite.

Começamos a passar as horas ao telefone, mesmo que no dia seguinte fossemos morrer de sono.

E chegou uma hora que pensamos: - mas por que não?

Porque é loucura! - diziam. Porque é longe. Porque não vai dar certo.

Mas um é teimoso, e outro é otimista. 

E a teimosia de um, com o otimismo do outro se juntaram. E se uniram, e perceberam que a dois é melhor. E que se quiser de verdade, a gente faz. A gente inventa. Mesmo sendo duro. Mesmo sendo longe.

E transforma dia em noite. 

E transforma a distância em apenas uma palavra usada para definir o espaço entre dois pontos que se unem.