Perguntaram-me o que era
preciso fazer para viajar sozinho.
Eu respondi: Pegue o carro,
pegue o ônibus, um avião, a moto, vá a pé, mas vá.
Vá sem planos, sem reservas,
sem garantias, sem a segurança de ter um lugar pra ficar. Vá ver o
desconhecido, o outro lado da sua zona de conforto. Vá e crie sua história,
faça descobertas, veja lugares novos, faça amizades raras, inusitadas.
Se tudo der errado, o que
pode acontecer? Voltar pra casa? Gastar uma passagem a mais? Dormir sob a luz
das estrelas? Você acredita mesmo que isso signifique que não deu certo?
Vá e veja o mundo, tire
fotos, fique sem fôlego. Ou não tire foto nenhuma. Volte com todas as
lembranças possíveis, e conte a sua versão da história. Inspire outros a
buscarem o novo, o belo, o desconhecido. Descreva os lugares por onde passou as
paisagens que viu.
Mandei uma foto para uma
amiga e disse que o local era lindo. Ela me respondeu que lindo era pouco para
descrever. Então eu descrevi o que eu via. Disse que o céu lembrava a casa dos
meus avós. Que lembrava a minha infância, onde as estrelas pareciam que
poderiam me tocar, de tão brilhantes e o pôr do sol coloria o céu de tantas cores
que eu sempre ficava sem fôlego ao olhar.
Talvez ela nunca veja o céu
da casa dos meus avós, mas ela entendeu o que fotografia nenhuma poderia
revelar. O significado daquele momento para mim.
A vida passa em uma
velocidade tão subjetiva. Não se perca em planos que nunca saem do papel.
A vida é muito curta para
não viajar sem reservas
