terça-feira, 1 de novembro de 2016

Sem Reservas

Perguntaram-me o que era preciso fazer para viajar sozinho.

Eu respondi: Pegue o carro, pegue o ônibus, um avião, a moto, vá a pé, mas vá.

Vá sem planos, sem reservas, sem garantias, sem a segurança de ter um lugar pra ficar. Vá ver o desconhecido, o outro lado da sua zona de conforto. Vá e crie sua história, faça descobertas, veja lugares novos, faça amizades raras, inusitadas.

Se tudo der errado, o que pode acontecer? Voltar pra casa? Gastar uma passagem a mais? Dormir sob a luz das estrelas? Você acredita mesmo que isso signifique que não deu certo?

Vá e veja o mundo, tire fotos, fique sem fôlego. Ou não tire foto nenhuma. Volte com todas as lembranças possíveis, e conte a sua versão da história. Inspire outros a buscarem o novo, o belo, o desconhecido. Descreva os lugares por onde passou as paisagens que viu.

Mandei uma foto para uma amiga e disse que o local era lindo. Ela me respondeu que lindo era pouco para descrever. Então eu descrevi o que eu via. Disse que o céu lembrava a casa dos meus avós. Que lembrava a minha infância, onde as estrelas pareciam que poderiam me tocar, de tão brilhantes e o pôr do sol coloria o céu de tantas cores que eu sempre ficava sem fôlego ao olhar.

Talvez ela nunca veja o céu da casa dos meus avós, mas ela entendeu o que fotografia nenhuma poderia revelar. O significado daquele momento para mim.

A vida passa em uma velocidade tão subjetiva. Não se perca em planos que nunca saem do papel.

A vida é muito curta para não viajar sem reservas