segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Ano Bom


2012 foi um ano... como todo os outros.
Teve seus 360 e tantos dias e metade deles foram noite.
A gente terminou 2011 pedindo que 2012 trouxesse de volta todas as alegrias que 2011 levou.
Fizemos planos para 1° de janeiro, comemos lentilha, pulamos onda, guardamos folhas de louro na carteira, caroços de romã, bebemos espumantes baratos fazendo de conta que era champanhe caro, vestimos branco, abraçamos, prometemos...
E mais uma vez estamos aqui.
Alguns pensaram que o mundo acabaria.
Para outros, o mundo realmente acabou.
Muitos de nós perdemos pessoas queridas, amigos, irmãos...
Assim como muitos de nós ganhamos pessoas queridas.
Para alguns, 2012 foi só mais um ano.
Para outros, 2012 foi O Ano!
Eu só desejo uma coisa.
Que não tenha sido o ultimo ano.
Que o próximo ano comece sem esquecer do que acabou.
Que os erros não fiquem pra traz como se tudo tivesse sido limpo. A gente aprende com os erros, mas só quando realmente lembramos deles.
Daqui a pouco 2013 vai chegar.
O que muda?
Bem, muda a folhinha na parede, o calendário no computador, e outras trivialidades.
No primeiro minuto, do primeiro dia de 2013, as pessoas ainda serão as mesmas, os sonhos serão os mesmos, os mesmos medos, os mesmos desejos.
Pense nisso.
Um ano novo não traz pessoas melhores.
Pessoas melhores trazem um ano novo!
Um 2013 excelente a todos vocês!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Dia Normal

Aniversario é um dia estranho.
Na verdade é um dia como todos os outros.
Em geral você acorda, troca de roupa, toma café, vai trabalhar, vai estudar, se for um final de semana você dorme até mais tarde, fica com preguiça, termina o dia assistindo o Fantástico.
Mas friamente, é um dia igual os outros.
Não existem passeatas pelo desarmamento, e ninguém fica sensibilizado pela paz mundial.
Na verdade, algumas pessoas nem se recordam, ou simplesmente nem sabem que dia é aquele, e qual o motivo de tanto sorriso.
Não, eu não estou culpando ninguém. Afinal eu também esqueço o aniversario de muita gente.
Mas ainda assim é um dia estranho.
São 24 horas onde você é o centro de tudo.
Pra quem?
Pra você mesmo claro.
Você sente a expectativa de um abraço, de um sorriso, de uma lembrança.
É o seu dia.
E há de se vive-lo ali, naquele momento.
Pois logo ele passa, e amanhã vai ser outro dia “normal”...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Presente

O presente se faz no dia a dia. 
Nos pequenos gestos, na presença, no carinho. 
Está na troca de olhares, nas palavras doces, nos movimentos sutis. 
É a mágica diária, a alquimia de leigo. 
O material dificilmente substituirá o sentimental. 

Objetos nunca serão maiores que o afeto, o carinho, a compreensão.
Presentes se gastam, desgastam e acabam.
Roupas bonitas encolhem, sapatos saem de moda, eletrônicos se quebram, fotos desbotam.
O sentimento não.
A sensação do presente é maior do que o valor.
O sorriso, o abraço, aquele calor trocado entre as pessoas que se amam, isso sim é verdadeiro, é real e é pra sempre.
O material agrada sim, não tem como negar.
Mas o material está à venda em cada esquina, em toda loja, exposto em cada vitrine, em cada catalogo, em cada liquidação.
E assim como pode ser comprado, também pode ser vendido e um dia acaba..
Diferente do amor.
O amor não se compra.
O amor não se vende.
O AMOR nunca morre!

Laços

Entrelaço minha vida a tua
Desenho teu rosto, banhado na lua
As palavras voando, envolvendo a cintura nua

Meus beijos brotando, roubando os beijos da boca sua

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

E se...


E se nossa inteligência não fosse medida por provas.
E se o nosso amor não fosse julgado pela quantidade de demonstrações publicas?
E se nossas escolhas não fossem questionadas por cada pessoa que pensa que sabe mais que você?
E se...
Se fossemos realmente respeitados pelo que somos.
E nosso amor fosse medido pelas nossas atitudes sigilosas.
E nossa inteligência medida pelo peso das nossas escolhas.
E se a moda for desnecessária.
Se o consumismo pudesse ser parado.
E o auto corretor do Windowns naum funcionaze maaais?
E se?
Se ao invés de invejar as frases, as histórias, as vidas de outras pessoas, você decidisse criar as suas frases, a sua história e a principalmente, cuidar da sua vida?

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Nosso Céu


Eu queria estar perto.
Queria ter certeza de tudo que é certo.
Poder te segurar no colo, pegar tua mão.
Fazer nossa vida ser uma bela canção.

Na verdade eu queria te escrever diferente.
Ao invés de sonhar quero viver a vida da gente.
Esquecer esses versos que não saem do papel.
Escrever nossa historia e pintar nosso céu.

Bagunça


Sim eu vou bagunçar a sua vida, e não vai ser sem querer, vai ser de proposito.
Eu vou bagunçar seus cabelos, amassar a sua roupa, borrar a sua maquiagem, arrancar a sua roupa.
Eu não vou ser bonzinho, não vou ser mau, não vou ser nada.
Eu vou ser eu, e é isso que eu quero que você deseje.
Não um papel, não uma copia daquilo que você sonhou.  
Quero que você deseje só a mim.
Mas se eu for a copia daquilo tudo que você sempre quis, ainda assim eu vou bagunçar tudo.
Vou sair sem avisar, e voltar da mesma forma.
Não por que eu queira, mas por que eu preciso.
Pode ser que eu suma no meio da noite, pode ser que eu apareça, sem justificativa, com a roupa amassada cheirando a bebida, eu não sei.
Eu não posso prometer nada e nem cumprir nada do que não prometi, mas de uma coisa eu sei.
Eu vou bagunçar com tudo.
E só quero que você seja o motivo dessa bagunça.
Mais do que tudo.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Agradecimento ao meu ilustrador Bruno Assis.

Eu queria agradecer muito a colaboração de um grande amigo, de uma parceria de quase 20 anos e que agora volta a tona trazendo mais cores para os meus contos. 
A soma desses dons vai com toda certeza engrandecer o trabalho de ambos, e eu me sinto infinitamente grato pelas ilustrações que já chegaram, e pelas que ainda vão surgir.
Que fique registrado, o quanto me sinto feliz em poder contar com suas cores, com seus desenhos junto com os meus contos meu querido.
Bem mais que um amigo, um irmão de coração!!!
Valeu mesmo velho!!!!
Com vocês, toda a genialidade dos traços de Bruno Assis!!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

As asas da borboleta 2


‘‘Quem tenta ajudar uma borboleta a sair do casulo a mata. 
Quem tenta ajudar um broto a sair da semente o destrói. 
Há certas coisas que não podem ser ajudadas. 
Tem que acontecer de dentro para fora."

Rubem Alves

As asas da borboleta 2

O bar não havia mudado muito desde a ultima vez. Apesar de algumas janelas estarem tapadas com placas de madeira, fazendo assim com que menos luz entrasse pelas antigas frestas, o local mantinha o mesmo ar inóspito de solidão. O relógio alemão continuava a tiquetaquear preguiçosamente na parede, a poeira tomando conta de praticamente todo o ambiente. As mesas agora eram ocupadas por uma enormidade de pessoas, cada uma com seu charme especial.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Teu Céu

‎E eu vou pintar o teu céu com a cor mais bonita.
Pra que ele te dê uma alegria infinita.
E que você continue cantando.
Na hora que o dia termine e comece com nós dois.

A hora da saudade

Não me peça pra voltar querida, não agora.
A saudade é como a fome, eu sei.
Não tem hora.
Não me olhe desse jeito amor, não me prenda.
Um dia eu volto pra ser só seu.

Como em uma lenda.

Mas querida não me deixe! Eu preciso de ti.
Preciso do teu abraço apertado, preciso te fazer sorrir.
E se a saudade doer mais forte, tão forte de não aguentar mais.
Então volte correndo pros meus braços, sem nunca olhar para trás.

sábado, 6 de outubro de 2012

Cantinho de boca



As vezes as noites são vazias.
De tão quentes que são, ficam frias.
Não sei se é você, se sou eu ou nós dois.
Mas eu continuo insistindo, deixando a gente ficar pra depois.

E eu gostei do sorriso de cantinho de boca.
Antes de sair pra noite, pra mais uma aventura louca.
No céu as estrelas foram as testemunhas.
Do seu suspiro discreto, da sua ansiedade, roendo as unhas.

Mas é tarde querida, é hora de dormir.
Ou talvez seja mesmo a hora certa da gente fugir.
Sem olhar no relógio, olhar para as horas, nem mesmo ter medo.
E ficar esperando, que tudo de certo amanhã cedo.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Considerações parte 4

Mais um conto terminado, sem duvidas, um dos melhores.
Esse conto merece alguns vários agradecimentos, principalmente por que muita gente merece um agradecimento.
Em primeiro lugar, agradecer ao meu "protagonista" Noel, pela força que tem me dado, pelos elogios, pelas dicas, pelas horas e horas no bate papo, pela troca de experiencia e pela vivência. Foi um prazer enorme escrever "sobre" você, mas também um desafio. E como você dá trabalho eim meu querido!!
Agradecer a Simone Monteiro que deu dicas maravilhosas para esse conto, detalhes que fizeram com a coisa andasse. Valeu Si!

Agradecer a Melissa, que realmente existe, embora ela não saiba que está aqui. Suas sardas e os cabelos ruivos foram as fontes de inspiração.
Kelly Prado lembra que eu disse que ia agradecer você? Pois bem, a você pelos elogios, e por um comentário muito legal que eu ouvi. "Você usa palavras difíceis e musicas que eu olho e falo: Eu preciso ouvir!" Kékinha, valeu mesmo de coração.

 Wagner Chiorato pela ajuda nas palavras difíceis, pelas pesquisas na Wikipédia, e pela força que também deu.
Suzi e Carol, as duas são culpadas por esse blog, e por esse "escritor" pentelho que vos fala. Valeu pela força no começo.
E a todos que deram força, que visitam, que olham, que gostam...
De coração, mais uma vez: A Fábrica só existe por vocês!!

O Bom Rapaz


Créditos de imagem: VianaArts
Um ditado popular afirma que o bater de asas de uma borboleta, poderia provocar um tufão do outro lado do oceano.
É eu sei quase todo mundo conhece essa frase do filme, “Efeito Borboleta”, assim como muitos diretores já retrataram em suas películas, “A Teoria do Caos” onde uma série de fatos aleatórios tomam proporções inimagináveis. O que poucos sabem, é que o efeito borboleta está presente na teoria do caos.
Bem, não importa. Eu também já ouvi dizer que, independente do local onde você estiver, haverá uma aranha a menos de dois metros de você. Eu poderia passar o dia falando a respeito das coisas que eu sei, das coisas que eu ouvi, mas essa não é minha intenção. São fatos aleatórios de qualquer forma, e se a teoria estiver certa, uma hora ou outra você vai acabar sabendo. Embora algumas coisas realmente fosse melhor nem saber.

O bom rapaz

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Poema da manhã


E tem dias que eu acordo pensando em você.
As vezes são os dias frios, as vezes os dias quentes.
Mas as vezes eu acordo pensando na gente.
Pensando no que eu não sei.
Mas continuo sonhando, bem depois que acordei.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O Ouvinte

(Para Cris)


“I am a man who walks alone
And when I'm walking in a dark road
At night or strolling through the park

When the light begins to change
I sometimes feel a little strange
A little anxious when it's dark

Fear of the dark, fear of the dark
I have a constant fear that something's always near
Fear of the dark, fear of the dark
I have a phobia that someone's always there”
(Fear of the dark, Iron Maiden)

(Créditos de Imagem: Bruno de Assis)
Existem diversas formas de me descreverem. Algumas pessoas me descrevem palidamente, com roupa escura, capuz e uma foice. Um ceifador maldito. Outras me atribuem uma aparência mais macabra, com olhos vermelhos, dedos com garras, talvez até um pouco de sangue pingando dos caninos.
Mas eu não sou assim.
Claro, tudo isso não me incomoda, e eu não saio pelas ruas fazendo campanhas a favor da minha imagem. Meus clientes são sempre novos e não tenho medo se ser impopular pela minha aparência. Outro engano que geralmente cometem, é em relação a minha ocupação. Falam que sou o juiz, o carrasco, o vingador, entre outras coisas que prefiro não citar. Isso também é um erro. E isso também não me incomoda.
Na verdade, me visto de maneira adequada a receber meus clientes. Embora eu saiba que depois de me conhecerem eles não vão ter motivos de reclamar da minha aparência. Mas eu gosto de me apresentar assim: terno e gravata de grifes, sapatos italianos brilhantes, abotoaduras de ouro, relógio de pulso Rolex e um anel de brilhantes no dedo mínimo. Sempre dizem que a primeira impressão é a que fica certo? Pois bem, no meu caso, a última impressão é a que vai ficar então eu espero que seja uma impressão boa.
Quanto a minha ocupação, não sou o castigador, nem o justiceiro.
Eu sou o ouvinte.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Se eu for você me espera?

Eu te fiz muitos poemas
Quantos são nem lembro mais
E os que eu joguei fora, você não leu e tanto faz
Todos eles pra te ter, por mais um ano ou segundo
Mas você dormiu cedo e levou junto o meu mundo

Escrevo minhas canções pra que você leia sorrindo
E eu nem me lembro se hoje é dia de domingo
Se o céu está nublado ou se chuva vai caindo
Mas nem importa se você está dormindo

Se eu for você me espera com um abraço apertado?
E diz baixinho que fica sempre do meu lado
Me fala mil poemas pra que eu possa até sonhar
E olha meus olhos com seus olhos de âmbar

Mas nada mesmo importa se você não está aqui
E eu me pergunto para onde devo ir
Se subo lá no alto da montanha mais distante
Ou me endureço como o mais puro diamante

Se eu pudesse eu faria
De tudo pra te acordar
E depois cantaria, aquela velha canção de ninar
Embalaria o teu sono, até na noite mais fria
Te ver dormir, seria minha alegria

E toda noite a essa hora é um vazio no meu peito
Eu canto baixinho como você teria feito
E sinto teu perfume, aquele cheiro de jasmim
E te encontro aqui dentro
Guardado dentro de mim 

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Considerações parte 3

As vezes me flagro pensando nos meus contos. Quase sempre são os contos inacabados. Se Tolkien não tivesse um livro com esse titulo eu adoraria publicar um assim. É sempre fácil pra mim começar um conto. Difícil mesmo é termina-los. Eu quero sempre passar o melhor para todos, e esse todos inclui meus personagens claro, afinal eu quero que eles fiquem bem. Mas tem dias que penso nos meus contos acabados também. Fica aquela pontinha de vontade de saber como eles estão, o que eles estão fazendo, o que eles poderiam fazer. Clarice Lispector não relia seus textos. Luis Fernando Veríssimo diz que um escritor publica seus livros para se livrar deles. Eu ainda não sei bem onde me encaixo. Não quero me livrar dos meus personagens, eles me fazem companhia. Quero dividi-los com vocês, deixar com que eles possam sussurrar em seus ouvidos durante a noite, tanto quanto eles sussurram para mim. Mas tenho que admitir, tem dias que eu leio meus textos e bate um orgulho tão grande. E saber que eles arrancam sorrisos, lágrimas e um monte mais de emoções que eu não ousaria dar nome.. Bom, isso realmente faz com que tudo valha a pena.

Eu só tenho a agradecer a TODOS vocês.

Noite

Tenha sonhos verdes amor, não tema.
Sei que o dia as vezes é longo, e a noite pequena.
Tenha sonhos rosas, eu não me importo.
Mas seja feliz enquanto dure, e amanhã eu volto.

Não amor, não olhe pra trás.
O que passou eu sei, agora tanto faz.
Fique acordada até tarde mas não esqueça de dormir.
Amanhã quem sabe já tenha passado a sua vontade de fugir.

Mas se acordar sozinha a noite, não esqueça.
Que eu continuo ali, mesmo que dentro da sua cabeça.
Cada minuto que passa eu te vejo mais forte.
Por favor amor, esqueça seus sonhos de morte.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Frio

Penso em como foi bom o agora.
A chuva molha meu corpo, o vento sopra sozinho lá fora.
Você está longe, eu estou perto do seu lado agitado.
Minhas mãos não te tocam, meus dedos deslizam em seus cabelos molhados.

E lá fora o frio fica rodando como uma prece.
Aqui dentro está quente, mas só por que você que me aquece.
Nada mais volta, depois das voltas loucas do mundo.
Se você passa por mim, me joga um beijo que dura um segundo.

Não me chame querida. Não preciso ser lembrado.
Só me fale em voz baixa, que eu ainda sou o seu amado.
Sorria pra mim um riso leve, feito espuma.
Me segure bem forte abrace apertado e deixe que eu voe feito uma pluma.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Eu já disse que preciso de você?


“Eu já disse que preciso de você?”
(Did i say that i need you?)

“No fundo, todo escritor é um suicida. Os que se suicidaram foram aqueles que chegaram ao final da sua obra.”
(Parafraseando Luis Fernando Veríssimo, em “O Suicida e o Computador”).

Refez o movimento automaticamente pela décima vez seguida. Tirou um cigarro do maço, levou até a boca, acendeu e tragou longamente a fumaça. Sentiu a pulsação acelerar, a fumaça invadindo os pulmões pesadamente. O cinzeiro em forma de concha transbordava pequenas bitucas enegrecidas, fazendo o cheiro de alcatrão dominar o ambiente.
Debruçou sobre a mesa, as mangas do paletó de tweed gastas na altura dos cotovelos pelas longas horas dispensadas nessa posição. Passou a mão pelos espessos cabelos escuros, sentindo o suor que brotava em seu couro cabeludo lhe molhar a palma da mão.
A saleta pouco iluminada revelava uma decoração simples, porem sutil. Um pôster de Elvis em uma das paredes, discos de vinil espalhados pela estante, um cartaz de pub inglês, diversos livros de capa desbotada. Ao centro a mesa repleta de papéis, frascos de tinta e canecas vazias. Toda a genialidade encontrada em sua mente contrastava com sua organização. Era mais fácil encontrar um espaço para escrever no chão do que ali. A máquina de escrever alemã Adler Tippa era a única peça reconhecível.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Repetição

"Não há muito o que escrever querida.
As coisas passam, se repetem, é a vida.
Meus dedos dobram e se entrelaçam em suas mãos.
Por mais que eu cante algo belo, sempre nascerá outra canção.

Minha caneta rabisca um papel amassado.
Por vezes meu versos me levam ao teu lado.
A tinta mancha, de azul meus cabelos.
Meus olhos refletem, teu lábios vermelhos.

Por vezes minhas rimas são repetidas.
Eu me pergunto porque? Quem me responde é a vida.
As histórias se copiam e eu as transformo em poesia.
Sei que os meus versos, enchem tuas noites vazias.

E eu fico brincado de poeta apaixonado.
E as vezes consigo, ficar ao teu lado.
Meu papel se acaba e o que fica é a sensação.
De que essa história já existiu, mas o que importa?
Se é teu meu coração."

Sonhos

E ele tinha sonhos.
Não sonhos grandes, mas daqueles que cabem em uma noite de sono.
As vezes seus sonhos eram verdes, as vezes cor de rosa. As noites que ele sonhava eram sempre as melhores.
Mas um dia ele se cansou de sonhar, por mais que fosse bom.
Afinal os sonhos acabavam, e ele precisava esperar até a noite para poder continuar sonhando, e quase sempre sonhava um sonho novo.
E pensou em um sonho que não tivesse fim, em que pudesse sonhar a todo momento, em todo os lugares.
E decidiu sonhar o sonho de amar.
E amou as pessoas, e amou as plantas e amou os lugares.
Só que por mais que ele amasse, ainda faltasse algo.
Descobriu diversas formas de amor. E amou cada vez mais. A cada dia mais, mais e mais.
E decidiu amar alguém especial. Alguém que fosse único.
Decidiu encontrar o verdadeiro amor.
E se amou.
E pela primeira vez foi realmente feliz.

sábado, 23 de junho de 2012

Considerações parte 2

Eu gostaria mais uma vez de agradecer o carinho.
Os recados, os comentários me deixam muito feliz, me motivam a continuar escrevendo.
Gostaria de pedir as pessoas que comentam, que deixem seus nomes quando possível.
Mesmo que eu não as conheça, é muito importante para mim saber seus nomes. É por vocês que eu escrevo, é em vocês que eu penso quando termino um conto. Aquela ansiedade, aquela apreensão, aquele momento de, "será que eles vão gostar?".
Muito obrigado a todos os leitores da Fábrica!
A Fábrica só existe por vocês!!!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Hérica


Parou demoradamente em frente ao espelho. O vestido rodado espanhol, presente de aniversario de sua prima, fazia com que a curva suave da cintura se acentuasse ainda mais. Tinha os olhos pesados de maquiagem escura, fazendo suas sobrancelhas negras ficarem ainda mais evidentes. As maçãs do rosto estavam pintadas de vermelho e os lábios eram delicados como seda. Procurou um sapato de salto que combinasse com o vestido. Encontrou seu Louis Vuitton favorito junto à bolsa. Todos os presentes caros de amigos queridos. Lembrou de cada um deles com carinho.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Perfume

Eu não tenho o melhor perfume, nem tenho a fragrância mais marcante. Mas quando meu perfume se mistura ao seu, o resultado é inesquecível.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Silêncio


O teu silêncio grita, sussurra, implora.
Pede que eu vá, pede pra vir. Olha-me nos olhos e me pega pela mão.
Teu silêncio é ralo, é raro, é profundo. É tocável, de tão denso que chegar a ser.
Teu silêncio diz meu nome, e pinta ele junto do teu. Brinca comigo, me faz de João bobo, me joga, me leva, me busca. E chega uma hora que ele morre, deixa de ser silêncio pra ser o leve som da sua voz me levando mais uma vez ao encontro da sua boca.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Poema


Eu queria te escrever um poema.
Daqueles bonitos, de letra pequena.
Num papel colorido, marcado de giz.
Com uma melodia alegre e um final feliz.

Escrever algo de frente ao espelho.
Olhar em teus olhos, afagar-lhe os cabelos.
Acariciar o teu rosto, te fazer sorrir.
Desenhar um baú só pra você abrir.

No papel eu escrevo com letras douradas.
Sob o céu escuro e a noite estrelada.
Num parágrafo te peço pra deitar e sonhar.
E me encontrar em teus sonhos e não querer acordar.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Max


A bolha que o incomodava desde o começo da viagem finalmente se rompeu. –Merda.- limitou-se a dizer. Sentiu o liquido escorrendo pelo tornozelo encharcando ainda mais o seu confortável e moderno calçado de caminhada. Lembrou-se do vendedor simpático no momento da compra. -É nosso ultimo modelo senhor –afirmava- Com ele o senhor vai se sentir com os pés nas nuvens. -Eu poderia sentir meus pés em qualquer lugar naquele momento, menos nas nuvens. A quantidade de adjetivos e nomes difíceis que foram usados para descrever todas as funções de calçado levou mais tempo do que a venda em si. Solado antiderrapante, kevlar, colunas de absorção de impactos. Senti-me comprando uma nave espacial, a dizer pelo preço pago. -O clima a nossa volta era agradável, mas quando você tem os pés acostumados a conviver dentro de sapatos italianos e escritórios refrigerados, caminhadas ao ar livre não são bem as melhores opções de lazer. A clareira em que nos encontrávamos era repleta de arvores altas, flores coloridas e uma estrada enlameada. Os cascalhos soltos faziam com que você se sentisse em um ringue de patinação improvisado, fazendo com que cada passo fosse uma aventura. –Tudo bem, havia dito a mim mesmo. Uma vez na vida não vai me matar. -Eu começava a me arrepender daquela afirmação.

terça-feira, 12 de junho de 2012

A hora certa


As coisas não acontecem na hora certa. Não se iluda.
As coisas acontecem o tempo todo. É a mágica diária, ou como Joe costumava chamar, de "Alquimia de leigo garoto!"
O que acontece, é que a gente se apega somente aos momentos em que as coisas fazem a diferença. Não reparamos naquele bom dia que recebemos diariamente, naquele sorriso, no abraço, na gargalhada com os amigos. Mas quando precisamos, quando estamos necessitados, carentes, seja de afeto, de atenção ou de tantas outras coisas, nesse momento, quando você recebe um bom dia, ai sim você acha que "aconteceu na hora certa!" E os outros “bom dias”, os outros abraços, os outros sorrisos aconteceram na hora errada então? Aqueles não fizeram diferença?
Pense nisso. A hora certa para que?
Faça cada hora do seu dia ser à hora certa. Não espere que alguém lhe diga quando é. Faça valer à pena.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Eu ainda espero


Eu espero por você, mas você nunca vem.
Eu corro pra perto, eu volto pra longe, mas você foge também.
Meus olhos te seguem, minhas mãos te seguram, mas você vai além.
E grito seu nome, além do horizonte eu não encontro ninguém.
Prendo-te comigo, em um abraço apertado, mas você se mantém.
Eu fico sozinho, sentado em um canto, mas pra você tudo bem.
E tudo que eu sei, é que eu espero por você, mas você nunca vem...

domingo, 10 de junho de 2012

Considerações.

Eu gostaria de agradecer aos meus leitores, e eu espero que sejam vários. Gostaria de dizer, que a maioria das postagens que vocês vão ler são coisas antigas, os contos de verdade estão nascendo agora. Então, diversos textos menores não tem título. Vou colocar algum título só pra aparecer, então peço a compreensão para os possíveis títulos sem noção. = ) Obrigado!

Eu te vejo


Eu te vejo. Mesmo quando você pensa que esqueci, mesmo quando eu fico longe, fico mudo,
fico surdo. Eu vejo você mesmo quando você não me vê.

sábado, 9 de junho de 2012

Mudança

Dedicado a Ana Carolina. = )

E assim, de repente, decidiu mudar.
E decidiu ser diferente do que era. 
E decidiu crescer.
E soube realmente o que é ser feliz.
E o que é amor.
E simplesmente soube.
Soube que o dia termina a meia noite, mas que tem dias que são tão longos, que as próximas
semanas podem ser pequenas para comporta-los.
Soube que a felicidade não tem hora, não tem dia e nem tem prazo de validade. Ela acontece
sem avisar, e termina, também (claro) sem avisar. Mas o que fica dela é o que importa, e se
você não souber sentir isso, então fica bem complicado.
E soube que o que vale são os momentos. Principalmente os maus momentos, por que é com
eles que você descobre quem está, quem estava e quem vai continuar ao seu lado.
E teve certeza, que tudo que sabia não era nada. E o que aprendeu hoje pode ser o
necessário pra amanhã, e talvez fosse ainda mais necessário ontem, mas como já passou,
decidiu viver o agora. 
E soube realmente que o que importa é esse segundo, e o batimento mais importante é o
próximo, e se o minuto seguinte não acontecer, não haverá oportunidades de se desculpar,
nem de ligar e muito menos de abraçar.
E simplesmente, decidiu viver.

Despedida

Eu preciso que entenda amor. 

O fato de te deixar agora não significa que te ame menos, ou que em algum
momento tenha deixado de te amar. 
Pelo contrário. 
Deixo-te antes que seja tarde de mais pra conseguir ser forte novamente por nós
dois. 
Deixo-te com a certeza que preciso me preparar pra ser melhor que ontem, e ainda
assim, que posso ser ainda melhor amanhã. 
Preciso que entenda... 
Temo não ser forte o suficiente nesse momento, e te deixo com a certeza que nossos
corações nunca baterão isoladamente. Com a certeza que o meu amor repousa em
segurança junto ao teu. 
Deixo-te com a convicção de que o próximo encontro será tão doce como o primeiro.
E o próximo beijo, e próximo dia, e os próximos sonhos, e os próximos anos, serão os
primeiros (e os últimos) do restante de nossas vidas...

As asas da borboleta



Está historia deve ser lida como uma oração. Uma prece silenciosa no meio da noite. Como um apelo solitário de alguém que não tem mais nada a perder.
Foi assim que eu a conhecei.
Não sei dizer se era dia ou noite, da mesma forma que não saberia dizer se era primavera ou verão. Não importa. Rosas teriam o mesmo perfume se tivessem outro nome.
Eu a conheci assim. No silêncio, no escuro, sozinha. As várias garrafas que lhe faziam companhia em sua mesa, não eram precisamente as melhores testemunhas das nossas primeiras palavras. Mas foram as únicas.
Dizem que seu coração sabe a hora certa e a pessoa certa. Mas depois dos 40, dos 45; bem, às vezes não faz mais tanta diferença ser a hora e nem o seu coração saber de algo.