sexta-feira, 27 de maio de 2016

Café quente

Eu já vi o fim do mundo algumas vezes e na manhã seguinte eu estava em pé, com uma xícara de café fervendo nas mãos, pronto pra começar tudo de novo.

Algumas pessoas sabem o que é sofrer, mas nenhuma conhece o seu sofrimento. 

Sabem que talvez você não esteja legal, mas por Deus, não podem julgar o que você sente. 

Já fui dormir com o coração em pedaços e no outro dia ele continuava despedaçado. E no dia seguinte também.

E no outro e no outro... Mas uma hora ele se recupera. 

Então sofra o que for preciso. Não mais que isso.

Encha a caneca com café, coloque a camisa branca e entre na reunião com as pessoas que você admira. Mostre quem você é. 

Se mostre forte. Afinal, você é forte.

Deixe que o mundo acabe algumas vezes. Depois que acabou, acabou, certo?

E se acabou, não existe mais motivo pra sofrer. 

Erga a mão e peça à vida um lindo dia. 

E mais um café fumegante por favor.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Eu me lembro de você

Eu lembro quando você me olhou e disse que queria ser grande.

Lembro como os seus olhos brilhavam, de como você desejava isso, e me lembro como você se sentiu inseguro. Ainda posso ver você olhando aquelas pessoas que tanto admirava, e tanto queria ser igual, e vejo hoje, você andando ao lado delas.

Lembro das frases que você queria saber dizer, dos textos que queria escrever.

Eu lembro quando você viu os livros pela primeira vez.

Lembra-se de como você os desejou, sentado sobre aquele velho guarda roupas? Em como as horas passavam, enquanto você folheava aquelas National Geographic amareladas.

Eu me lembro garoto. Me lembro de tudo.

Lembro de cada dia que teve medo, de cada noite passada em claro e de todas vezes em que sozinho, acordou gritando.

Eu vi você sofrer, vi você chorar, e eu fui o único que vi você crescer.

Vi o quanto cresceu, o quanto aprendeu, a quantidade de planos que fez (e realizou) e o quanto ainda é capaz de crescer mais.

Então pare de se questionar. Você sabe as respostas. Você tem as respostas.

Abra os braços.


Vá logo mudar o mundo garoto.

Próxima vez

E talvez não exista próxima vez.

Talvez essa seja a última e nós não tenhamos ideia. Quem sabe ao cruzar a esquina hoje eu não volte.

Quem sabe eu tome aquele avião e vá embora, como já disse tantas vezes.

Quem vai saber ao certo? Você? Eu? Não sabemos.

Quem sabe essa seja realmente a última vez e nós ainda estamos aqui, discutindo o que comprar na fila do supermercado, abarrotado de outras pessoas que também não sabem.

E se for? E se eu me for ou você? 

Fizemos mesmo o que cada um disse que faria? Ou foram apenas sonhos?

Just a dream.

Eu não sabia o porquê, mas sabia que algo havia mudado. Algo havia se quebrado, mesmo que não houvessem cacos no chão.

Uma rosa vai continuar sendo uma rosa em qualquer lugar do mundo. 

A dor também.

Mude de endereço de casa de cabelo, mas dor vai sempre ser dor em qualquer lugar.

Enquanto eu olhava a sombra da luz na água fazendo desenhos em sua pele branca, eu sabia disso.

E se não houver próxima vez?


Tudo que pude fazer foi trazer seu corpo para o meu e abraçá-lo demoradamente.

domingo, 8 de maio de 2016

Dia das Mães

Mãe é um negócio tão bom, que até quando não é nossa mãe, ainda assim é bom.

Eu tenho a minha mãe. Depois tenho um monte de mães que são tias e são muito minhas mães quando estou longe de casa. E claro, tenho uma super mãe que é a minha vó. Tem as mães dos meus amigos, tenho uma mãe que é minha madrinha e tenho uma mãe que é a minha sogra. E tenho amigas que são mães.

A verdade é que mãe é sempre mãe. E aquele amor, aquele calor, aquele carinho, nada em lugar nenhum do mundo vai superar. Por isso que a minha mãe chama meus amigos de filhos.

Mãe sabe quando você está bem, sabe quando você está mal, sabe quando você está falando a verdade e quando está tentando disfarçar alguma coisa.

A mãe da gente sabe quando vai chover, sabe quando vai esfriar, mesmo que ela não trabalhe na previsão do tempo.

Todos nós sabemos que praga de mãe pega, embora elas não assumam. A minha mãe disse que eu ia cair da cachoeira. Eu falei que não. Mas, como eu disse, mãe é mãe. E eu caí. E ela cuidou de mim, como se a culpa de eu ter caído fosse dela.

Não posso dizer o que é ser mãe, pois isso foge completamente do meu senso de entendimento. O máximo que cheguei perto foi cuidar dos meus cachorros, então, eu não sou muito capacitado a definir o que se passa na cabeça e no coração dessas mulheres.

Mas vamos tentar: dizem que mãe é tudo igual, que só muda o endereço. Talvez seja por que o amor é igual. O amor de mãe. A minha é baixinha, algumas são altas. Muitas são falantes, outras são caladas. Algumas são senhoras, outras ainda meninas.

Mas o que une todas é aquilo que faz com que acreditemos que vale a pena continuar tentando amanhã.

Esperança!

Eu amo vocês Mães.

sábado, 7 de maio de 2016

Dia das mães

Eu pensei que havia experimentado todo tipo de dor até ter você chorando em meus braços e eu não saber o que fazer.

Pensava que entendia o que era abrir mão das coisas, até trocar todas as festas para trocar as suas fraldas e poder estar ao seu lado.

E eu achava que era forte... Até descobrir que não existe força maior do que a que transpassa de você.

E por fim, eu sempre tive certeza do que era amor.

Como eu era ingênua.

Eu nunca senti tanto amor como quando te segurei em meus braços. Ou como quando você disse mamãe pela primeira vez. Ou quando escreveu. Ou quando andou, quando sorrio.

Eu pensava que tinha uma vida. Até descobrir que você é minha vida.

Eu achava que era uma grande mulher. Você veio e me transformou em mãe.

Agora você vem e cresce. Deixa crescer os cabelos, esfola os joelhos e me faz sorrir.

Me acalma quando tudo a minha volta desaba, e consegue colocar de volta os sorrisos que muitas vezes custam a surgir.

Eu achava que poderia desafiar o mundo sozinha. Agora não preciso mais.

Hoje eu tenho um mundo só pra mim.