terça-feira, 18 de março de 2014

Gosto de chuva


E a chuva persiste, insiste e se sente bem em ficar

Com seu barulho, seu cheiro, sua suavidade em estar
Eu do seu lado, de corpo molhado a te amar
Querendo um beijo, ou todos os beijos pra te beijar


domingo, 16 de março de 2014

Pequenos gestos de uma garota antissocial

Ela ergueu o olhar dos papéis depositados a sua frente e encarou o relógio. Os ponteiros caminhavam preguiçosamente em direção às 5 horas da tarde.
A sua volta as mesas se agitavam com pessoas entusiasmadas com a chegada do fim de semana, os celulares sendo sacados constantemente com as trocas de mensagens, as caixas de entradas dos e-mails sendo tomadas com mensagens felizes e piadas de final de semana.
Todos pareciam extremamente felizes.
Menos Simone.
Da sua mesa ela observava quase hipnoticamente os ponteiros.
-Só mais 30 segundos; ela pensou, quando o grande ponteiro vermelho tocou o numero 6 do relógio.
-Só mais 30, 29, 28, 27...
Estava tão absorta com sua contagem regressiva que quase não reparou na notificação de nova mensagem em sua caixa de entrada. Por um momento sentiu-se confusa e esqueceu-se da contagem. (26, 25, 24, 23...)
Uma mensagem àquela hora era rara. Só seu chefe mandava e-mail naquele endereço. E quase nunca era no final do expediente, principalmente em uma sexta feira.
Clicou com o mouse na caixa de entrada e abriu a mensagem.
“-Happy Hour NOW!!!”
A mensagem com letras garrafais e uma foto de Homer Simpsons segurando sua famosa Duff surgiu em sua tela.
Sob o texto todo, a pequena assinatura personalizada com flores identificava o e-mail.
"Mary"
Durante toda a semana, Mariane havia insistido para aquele happy hour. Simone sempre desconversava e postergava o assunto.
Não era sua praia, ela dizia. Mas ainda assim, Mariane insistia. As duas eram grandes amigas, próximas o suficiente para que Mariane soubesse o quanto Simone estava sozinha.
Simone ergueu o olhar da tela do computador e viu Mariane a encarando com um sorriso imenso e ambos os polegares voltados para cima. Simone arqueou as sobrancelhas com uma expressão de -"tem certeza disso?”.
Mariane juntou as mãos em sinal de prece e fez um gesto de implorar.
“-Pleaseee?!” - Simone podia ler em seus lábios. A amiga adorava usar seu vasto conhecimento na língua inglesa durante os momentos de súplica, elogios ou agradecimentos.
Respirou fundo e soltou o peso dos ombros, revirando os olhos como se entregando os pontos.
-Tá bom, tá bom...
Do outro lado da sala Mariane jogou os braços para o alto como se comemorasse um gol.
Apanhou a bolsa e veio correndo em direção da amiga.
Simone juntou as coisas e encarou os ponteiros do relógio: 3, 2, 1. O relógio marcou 5 horas e todos partiram excitados para o final de semana.

quinta-feira, 13 de março de 2014

First Kiss

Nada como o primeiro beijo.
Eu gosto da cumplicidade do beijo, da intimidade que ele leva, que ele provoca.
Gosta do movimento das mãos, do carinho que elas representam, buscando explorar e proteger a pessoa amada, aquela pessoa que você tem (ou que tem você) nos braços.
Eu gosto da entrega que existe durante o beijo.
Os movimentos podem ser inseguros, indecisos momentos antes, mas quando os olhares se cruzam, quando o tempo para naquela fração de segundo, então tudo acontece.
Gosto da ausência de sons que esse momento provoca.
No vazio que se cria durante o encontro dos lábios, da forma como eles se tocam, mesmo de olhos fechados, sabendo exatamente a hora de se juntarem, de pressionarem, de se experimentarem.
Não existe nada como o primeiro beijo.
O sorriso que brota tão naturalmente, antes, durante e depois, a alegria que estar vivendo algo único, algo que só aquelas duas pessoas vão poder compartilhar.
A vontade de não parar mais, e de querer olhar de perto, e sentir novamente e mais e mais e mais...

terça-feira, 4 de março de 2014

Depois do banho

Eu ainda me lembro da forma como você saía do banho.
A forma como se enrolava na toalha, com os cabelos desgrenhados, e a cara de sono.
Lembro dos olhos apertados, com algumas rugas se formando enquanto reprimia um sorriso, ou quando fechava a cara de mau humor, uma xícara de café fumegante nas mãos.
Lembro que ficava te olhando assim, da cama, entre os lençóis e travesseiros que acabávamos de bagunçar.
Algumas gotas de água ainda escorrendo pelo corpo, as belas formas esculpidas entre suas curvas, aquelas curvas que eu conhecia tão bem.
Você parava de frente ao espelho, mas os seus olhos não enxergavam nada, não viam o seu reflexo.
E eu ficava ali, apenas observando, esperando você acordar novamente, me enxergar de novo e voltar para mim. 

domingo, 2 de março de 2014

Eu ainda sonho com você

Eu sonho com você todas as noites e você não sabe o efeito que isso tem em mim.
É como se eu te visse na minha frente e não pudesse te abraçar, não pudesse te tocar.
Nos sonhos as coisas sempre dão certo, mas quando eu acordo eu perco o sono e você se vai, e minha noite se torna vazia.
Eu quero parar de sonhar com você. Quero parar de pensar, parar de te ver, mas ao mesmo tempo eu não quero.
Ao mesmo tempo eu preciso te ver, eu preciso de você.
Quero você preenchendo os meus sonhos, meus pensamentos, meus dias, minhas noites...
Eu não sei mais o que fazer.
O que você espera que eu faça?
O que eles esperam que eu faça?
Que eu atenda todos os recados, que supere todas as expectativas, que eu responda todas as perguntas?
Eu não aguento mais fazer as pessoas felizes, não aguento mais fazer as pessoas infelizes e não aguento mais não conseguir fazer você feliz...
Eu não suporto ter que dar satisfações e isso é tudo que me pedem.
Satisfações, respostas, justificativas...
O que vocês querem que eu faça?
Quem vocês esperam que eu seja?
Não é culpa sua, não é culpa de ninguém.
O problema sou eu, sou sempre eu...
Agora é tarde e eu preciso ir.
Não me julgue fraco, não me julgue um desertor, um covarde, não me julgue.
Respeite minha ausência assim como você admirou minha presença
Guarde os momentos bons que eu proporcionei, e guarde meu sorriso, guarde os momentos felizes que ocorreram, aquela falta de ar.
Não há muito mais o que dizer, nem muito que explicar.
É tarde eu realmente não posso mais ficar.
Vocês têm meus livros agora, vocês podem buscar respostas neles.
É a herança que eu vos deixo. Cuidem deles por mim.

Até logo...