"Acho que... prefiro me lembrar de uma vida desperdiçada com coisas
frágeis, a uma vida gasta evitando a dívida moral"...
Você gostou tanto dessa frase que eu não tive como iniciar o seu texto
de outra forma.
Você não me pediu nada, e eu não prometi nada. Disse que escreveria seu
texto de aniversário, assim como poderia dizer que te compraria um cartão
barato em um bazar qualquer.
Também disse a você, que pensei em escrever um poema.
Mas poemas têm rimas, são doces, suaves, tem cadência, tem lógica.
E você não é nada disso.
Você é ilógica.
Você é tempestade e brisa suave. É tormenta e calmaria. É ódio e perdão.
Por isso, Gaiman consegue iniciar seu texto tão bem. Você ama as coisas
frágeis. Você se apega a elas como se elas não fossem acabar... Mas, elas
acabam. E você sabe disso, Deus como você sabe.
A chama da vela acessa por segundos enquanto o vento insiste em soprar
por todos os lados, o perfume da flor de papel feita as pressas, o sorriso
cúmplice entre palavras.
E mesmo assim, mesmo amando as coisas frágeis, esperando pelo momento delas
se despedaçarem, você consegue ser feliz. E irradia felicidade, e amor, e
esperança, mesmo que não saiba, mesmo que não queira.
Que sua vida seja assim. Amando aquilo que os outros não sabem amar,
desejando aquilo que todos desistiram de buscar, encontrando o que os homens
normais nunca foram capazes de encontrar.
Traduzo meu único desejo usando minhas próprias palavras:
"Garota de vidro, não deixe que o mundo te faça em pedaços."
Feliz aniversário.
