quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Se eu for você me espera?

Eu te fiz muitos poemas
Quantos são nem lembro mais
E os que eu joguei fora, você não leu e tanto faz
Todos eles pra te ter, por mais um ano ou segundo
Mas você dormiu cedo e levou junto o meu mundo

Escrevo minhas canções pra que você leia sorrindo
E eu nem me lembro se hoje é dia de domingo
Se o céu está nublado ou se chuva vai caindo
Mas nem importa se você está dormindo

Se eu for você me espera com um abraço apertado?
E diz baixinho que fica sempre do meu lado
Me fala mil poemas pra que eu possa até sonhar
E olha meus olhos com seus olhos de âmbar

Mas nada mesmo importa se você não está aqui
E eu me pergunto para onde devo ir
Se subo lá no alto da montanha mais distante
Ou me endureço como o mais puro diamante

Se eu pudesse eu faria
De tudo pra te acordar
E depois cantaria, aquela velha canção de ninar
Embalaria o teu sono, até na noite mais fria
Te ver dormir, seria minha alegria

E toda noite a essa hora é um vazio no meu peito
Eu canto baixinho como você teria feito
E sinto teu perfume, aquele cheiro de jasmim
E te encontro aqui dentro
Guardado dentro de mim 

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Considerações parte 3

As vezes me flagro pensando nos meus contos. Quase sempre são os contos inacabados. Se Tolkien não tivesse um livro com esse titulo eu adoraria publicar um assim. É sempre fácil pra mim começar um conto. Difícil mesmo é termina-los. Eu quero sempre passar o melhor para todos, e esse todos inclui meus personagens claro, afinal eu quero que eles fiquem bem. Mas tem dias que penso nos meus contos acabados também. Fica aquela pontinha de vontade de saber como eles estão, o que eles estão fazendo, o que eles poderiam fazer. Clarice Lispector não relia seus textos. Luis Fernando Veríssimo diz que um escritor publica seus livros para se livrar deles. Eu ainda não sei bem onde me encaixo. Não quero me livrar dos meus personagens, eles me fazem companhia. Quero dividi-los com vocês, deixar com que eles possam sussurrar em seus ouvidos durante a noite, tanto quanto eles sussurram para mim. Mas tenho que admitir, tem dias que eu leio meus textos e bate um orgulho tão grande. E saber que eles arrancam sorrisos, lágrimas e um monte mais de emoções que eu não ousaria dar nome.. Bom, isso realmente faz com que tudo valha a pena.

Eu só tenho a agradecer a TODOS vocês.

Noite

Tenha sonhos verdes amor, não tema.
Sei que o dia as vezes é longo, e a noite pequena.
Tenha sonhos rosas, eu não me importo.
Mas seja feliz enquanto dure, e amanhã eu volto.

Não amor, não olhe pra trás.
O que passou eu sei, agora tanto faz.
Fique acordada até tarde mas não esqueça de dormir.
Amanhã quem sabe já tenha passado a sua vontade de fugir.

Mas se acordar sozinha a noite, não esqueça.
Que eu continuo ali, mesmo que dentro da sua cabeça.
Cada minuto que passa eu te vejo mais forte.
Por favor amor, esqueça seus sonhos de morte.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Frio

Penso em como foi bom o agora.
A chuva molha meu corpo, o vento sopra sozinho lá fora.
Você está longe, eu estou perto do seu lado agitado.
Minhas mãos não te tocam, meus dedos deslizam em seus cabelos molhados.

E lá fora o frio fica rodando como uma prece.
Aqui dentro está quente, mas só por que você que me aquece.
Nada mais volta, depois das voltas loucas do mundo.
Se você passa por mim, me joga um beijo que dura um segundo.

Não me chame querida. Não preciso ser lembrado.
Só me fale em voz baixa, que eu ainda sou o seu amado.
Sorria pra mim um riso leve, feito espuma.
Me segure bem forte abrace apertado e deixe que eu voe feito uma pluma.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Eu já disse que preciso de você?


“Eu já disse que preciso de você?”
(Did i say that i need you?)

“No fundo, todo escritor é um suicida. Os que se suicidaram foram aqueles que chegaram ao final da sua obra.”
(Parafraseando Luis Fernando Veríssimo, em “O Suicida e o Computador”).

Refez o movimento automaticamente pela décima vez seguida. Tirou um cigarro do maço, levou até a boca, acendeu e tragou longamente a fumaça. Sentiu a pulsação acelerar, a fumaça invadindo os pulmões pesadamente. O cinzeiro em forma de concha transbordava pequenas bitucas enegrecidas, fazendo o cheiro de alcatrão dominar o ambiente.
Debruçou sobre a mesa, as mangas do paletó de tweed gastas na altura dos cotovelos pelas longas horas dispensadas nessa posição. Passou a mão pelos espessos cabelos escuros, sentindo o suor que brotava em seu couro cabeludo lhe molhar a palma da mão.
A saleta pouco iluminada revelava uma decoração simples, porem sutil. Um pôster de Elvis em uma das paredes, discos de vinil espalhados pela estante, um cartaz de pub inglês, diversos livros de capa desbotada. Ao centro a mesa repleta de papéis, frascos de tinta e canecas vazias. Toda a genialidade encontrada em sua mente contrastava com sua organização. Era mais fácil encontrar um espaço para escrever no chão do que ali. A máquina de escrever alemã Adler Tippa era a única peça reconhecível.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Repetição

"Não há muito o que escrever querida.
As coisas passam, se repetem, é a vida.
Meus dedos dobram e se entrelaçam em suas mãos.
Por mais que eu cante algo belo, sempre nascerá outra canção.

Minha caneta rabisca um papel amassado.
Por vezes meu versos me levam ao teu lado.
A tinta mancha, de azul meus cabelos.
Meus olhos refletem, teu lábios vermelhos.

Por vezes minhas rimas são repetidas.
Eu me pergunto porque? Quem me responde é a vida.
As histórias se copiam e eu as transformo em poesia.
Sei que os meus versos, enchem tuas noites vazias.

E eu fico brincado de poeta apaixonado.
E as vezes consigo, ficar ao teu lado.
Meu papel se acaba e o que fica é a sensação.
De que essa história já existiu, mas o que importa?
Se é teu meu coração."

Sonhos

E ele tinha sonhos.
Não sonhos grandes, mas daqueles que cabem em uma noite de sono.
As vezes seus sonhos eram verdes, as vezes cor de rosa. As noites que ele sonhava eram sempre as melhores.
Mas um dia ele se cansou de sonhar, por mais que fosse bom.
Afinal os sonhos acabavam, e ele precisava esperar até a noite para poder continuar sonhando, e quase sempre sonhava um sonho novo.
E pensou em um sonho que não tivesse fim, em que pudesse sonhar a todo momento, em todo os lugares.
E decidiu sonhar o sonho de amar.
E amou as pessoas, e amou as plantas e amou os lugares.
Só que por mais que ele amasse, ainda faltasse algo.
Descobriu diversas formas de amor. E amou cada vez mais. A cada dia mais, mais e mais.
E decidiu amar alguém especial. Alguém que fosse único.
Decidiu encontrar o verdadeiro amor.
E se amou.
E pela primeira vez foi realmente feliz.