segunda-feira, 20 de março de 2017

A definição de perfeição


Talvez a definição de paraíso seja essa. Eu lendo enquanto você você toma banho, enquanto eu invento vozes para nossos personagens preferidos, ou fazendo comparações com A Sociedade dos Poetas Mortos (Oh Capitain, My Capitain) e buscando algo de Tarantino em Pulp Fiction.

Pode ser que eu pare entre capítulos, só pra te olhar enquanto a espuma cobre o seu rosto, e simplesmente fique assim, observando em silêncio certos desenhos que eu conheço tão bem, e você ainda de olhos fechados me pergunte: "por que você parou?" e eu simplesmente possa sorrir e voltar a ler.

Talvez a perfeição seja você enrolada na toalha, ainda dentro do box, sem coragem de sair e interrompera leitura, afinal, meus olhos brilham tanto quando eu leio pra você, e no fundo, isso é uma das poucas coisas que ainda me acalmam.

Talvez a perfeição seja uma xícara de café sendo posta ao lado da cama minutos antes de acordar.

Talvez seja isso.

Um banho, um livro, um café e nós dois.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O Grande Talvez

Passei muito tempo tentando entender o significado de nós dois. Passei noites olhando para o forro do meu quarto, sozinha, enquanto os ponteiros do relógio ficavam repetindo seu hipnótico tic e tac e cheguei a uma conclusão.

Você foi. Não algo inacreditável, inigualável, ou sei lá quantos outros adjetivos com a mesma terminologia eu poderia utilizar. Você foi o que deveria ter sido e passou. Não vou dizer que não foi bom e que às vezes eu não me pego lembrando algo bom. Mas tantas vezes eu me pego pensando em algo ruim, que para mim não faz mais diferença.

Fiquei em busca de um Grande Talvez, como em Alasca, e me dei conta que O Grande Talvez, talvez também não resolvesse. O talvez nós deixamos em cima da cama a tanto tempo, no “talvez de certo”, ou “talvez a noite possamos fazer amor novamente”, que hoje, nenhum outro talvez mais resolveria.

Busquei respostas que nunca encontrei, porque não se pode encontrar uma resposta que você já tem. É como perder algo que não está perdido, consegue entender o que eu digo?

Um dia você me perguntou se havia me perdido.

Eu disse que não. Você nunca me perderia, pelo simples motivo de que eu nunca fui sua. Você nunca permitiu que eu fosse sua.

Eu poderia ser o que você quisesse, eu seria tudo pra você. Mas você preferiu que eu não fosse nada. Você disse que era sufocante ter a mim em plenitude. E eu entendi. Você poderia ter tudo de mim, mas você preferiu ter nada.

E eu guardei tudo pra mim. Coloquei em uma gaveta, junto com os porta retratos e a minha escova de dentes.

Guardei todos os eu te amo que não pude mais responder, afinal de contas, eles eram todos seus.

Joguei os chinelos debaixo da cama, e às vezes eu esbarro neles, mas você sabe que eu sempre preferi andar descalço pela casa.

Guardei aquele bilhete amassado que dizia que eu havia mudado a sua vida, dentro de uma agenda esquecida em algum canto, pra quem sabe um dia poder olhar pra ele sem tanta dor.

Guardei tudo, mas deixei tudo livre para ir.


Que sejamos felizes assim.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

30 e poucos anos

Se tu vens as 4, desde as 3 eu sou feliz.

É eu sei. É um plágio. Mas plagiei tanta coisa, tantos textos e tantas frases esse ano. Hoje não poderia ser diferente.

Sendo assim, aqui estamos nós. Cada vez mais velhos. E gordos. E por mais que você disfarce, nós dois sabemos que você ganhou alguns quilos desde a última vez. Os cabelos insistem em cair e eu rezo pra que você mantenha a sanidade (no fim isso é quase tudo que importa).

Outro ano passou e mais uma vez levou pessoas da nossa vida. E eu sei o quanto você sente vontade de ligar pra elas e de abraça-las e falar baixinho que está tudo bem, que você está ali e que vai passar. Essa maldita mania de preferir as coisas frágeis. Mas sei que você não vai. Elas precisam aprender a caminhar sem você garoto, e vc... Bem, você também precisa. Sei que vai entender isso.

Mas um ano passou e de verdade o que mudou?

Nesse ano andamos ainda mais rápido (295 km/h pra ser mais exato), escrevemos um monte de texto (33 com esse), arrancamos um bocado de sorrisos (eu não sou capaz de fazer essa conta) assim como nos anos anteriores.

Pegamos aquele monte de ideias que alguns insistem em chamar de sonhos e transformamos em planos. Concretizamos vários e outros tantos continuam guardados para serem concluídos amanhã, ou quem sabe depois de amanhã, ou quem sabe depois.

Não viajamos tanto quanto gostaríamos, mas fizemos as viagens que deveriam ser feitas. Mas calma garoto. Ainda existem tantas estradas pra você.

Por mais de uma vez você me deixou orgulhoso. Por umas tantas outras vezes você me deixou louco da vida. Por quantas e quantas vezes nós pensamos em desistir.

Mas acontece que você é duro, assim como Drummond dizia. Você é duro, mas é doce. É tempestade, mas também é calmaria. E eu continuarei aqui te dando colo e continuarei gritando com você, e continuarei te observando de perto, de longe, e de todas as formas possíveis.

Eu simplesmente vou estar.

Você vai se tornar um adulto maravilhoso.


Parabéns meu velho.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Do outro lado

A casa estava em silêncio. Vez ou outra era possível ouvir algum som que não era capaz de perturbar a calma, como se o silêncio fosse precioso demais para ser interrompido.

Os dias vinham passando assim. Muitas vezes sem que nada se movesse, e algumas vezes como nada fosse capaz de parar o movimento.

- Há anos eu vejo as pessoas indo embora. Há anos eu vejo e isso não faz com que eu seja mais fria, ou sinta menos dor. Eu queria entender o por quê. Eu só queria entender isso.

De seu lugar junto à janela ele ficou a contemplar as árvores por mais um momento. O vento batia em suas folhas fazendo com que elas vibrassem. Ele se permitiu um pequeno sorriso enquanto absorvia aquela sensação. (And I'm shaking like a leaf)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Enquanto eu respirar

Estive pensando em nós dois - ela escreveu no caderno com a letra apressada, como se o vento soprasse com força as palavras.    
                  
Estive pensando na falta que me faz e em como é duro não poder te abraçar de novo e em como eu sofro com sua ausência, mesmo que ela me enlace a cada noite em que perco o sono.  
                    
E enquanto isso - ela continua - eu sei que você continua desse lado, de uma maneira que talvez seja ainda mais intensa do que antes.       
               
As lágrimas começam a escorrer, mas ela não as limpa. Faz bem senti-las pelo seu rosto, como se fosse um afago, uma mão invisível de um toque tão conhecido. 
                     
Penso em quanto eu tive de você aqui e em como nunca vou ser capaz, (mesmo que em um mundo absurdo eu quisesse) de te esquecer. Ouço pelo fone de ouvido alguém dizer "só enquanto eu respirar vou me lembrar de você" mas eu discordo. 
                     
Talvez você não possa respirar, mas eu não tenho dúvidas de que você se lembra. Então, eu também me lembrarei.   
                   
Enquanto te espero voltar (da maneira que você queira voltar) vou estar aqui. Com tua ausência fazendo companhia.          
            

Te vejo do outro lado garoto.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Sem Reservas

Perguntaram-me o que era preciso fazer para viajar sozinho.

Eu respondi: Pegue o carro, pegue o ônibus, um avião, a moto, vá a pé, mas vá.

Vá sem planos, sem reservas, sem garantias, sem a segurança de ter um lugar pra ficar. Vá ver o desconhecido, o outro lado da sua zona de conforto. Vá e crie sua história, faça descobertas, veja lugares novos, faça amizades raras, inusitadas.

Se tudo der errado, o que pode acontecer? Voltar pra casa? Gastar uma passagem a mais? Dormir sob a luz das estrelas? Você acredita mesmo que isso signifique que não deu certo?

Vá e veja o mundo, tire fotos, fique sem fôlego. Ou não tire foto nenhuma. Volte com todas as lembranças possíveis, e conte a sua versão da história. Inspire outros a buscarem o novo, o belo, o desconhecido. Descreva os lugares por onde passou as paisagens que viu.

Mandei uma foto para uma amiga e disse que o local era lindo. Ela me respondeu que lindo era pouco para descrever. Então eu descrevi o que eu via. Disse que o céu lembrava a casa dos meus avós. Que lembrava a minha infância, onde as estrelas pareciam que poderiam me tocar, de tão brilhantes e o pôr do sol coloria o céu de tantas cores que eu sempre ficava sem fôlego ao olhar.

Talvez ela nunca veja o céu da casa dos meus avós, mas ela entendeu o que fotografia nenhuma poderia revelar. O significado daquele momento para mim.

A vida passa em uma velocidade tão subjetiva. Não se perca em planos que nunca saem do papel.

A vida é muito curta para não viajar sem reservas

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

My Sunshine

Talvez toda diferença que os outros enxergam se resuma a isso. Apenas a diferença que os outros enxergam.
Ninguém te enxerga como eu. Não sentem o que eu sinto, mesmo que de uma hora pra outra nós consigamos fazer o mundo desabar.
Por causa de carinho, por causa de atenção, ou por colo.
Você vai sempre ser meu raio de sol. Vai ser meu único raio de sol.
E você se perguntará: Mas de onde vem essas palavras? E eu talvez encabulada, e olhando para o chão te direi: Do coração. Não das minhas mãos, mas de mim.
E você dirá: É possível? - E eu sorrindo direi: Sim.
Talvez raros sejam os momentos em que ambas se vejam e se permitam ver vulneráveis, frágeis, delicadas... Mas eu me permito ser tudo que o posso ser por você.
Feliz Aniversário
"You are my sunshine, my only sunshine
You make me happy when skies are grey
You'll never know, dear, how much I love you
Please, don't take my sunshine away... (Johnny Cash)