Passei muito tempo tentando
entender o significado de nós dois. Passei noites olhando para o forro do meu
quarto, sozinha, enquanto os ponteiros do relógio ficavam repetindo seu
hipnótico tic e tac e cheguei a uma conclusão.
Você foi. Não algo inacreditável,
inigualável, ou sei lá quantos outros adjetivos com a mesma terminologia eu
poderia utilizar. Você foi o que deveria ter sido e passou. Não vou dizer que
não foi bom e que às vezes eu não me pego lembrando algo bom. Mas tantas vezes
eu me pego pensando em algo ruim, que para mim não faz mais diferença.
Fiquei em busca de um Grande Talvez,
como em Alasca, e me dei conta que O Grande Talvez, talvez também não resolvesse.
O talvez nós deixamos em cima da cama a tanto tempo, no “talvez de certo”, ou “talvez
a noite possamos fazer amor novamente”, que hoje, nenhum outro talvez mais
resolveria.
Busquei respostas que nunca
encontrei, porque não se pode encontrar uma resposta que você já tem. É como
perder algo que não está perdido, consegue entender o que eu digo?
Um dia você me
perguntou se havia me perdido.
Eu disse que não. Você nunca me perderia, pelo
simples motivo de que eu nunca fui sua. Você nunca permitiu que eu fosse sua.
Eu poderia ser o que
você quisesse, eu seria tudo pra você. Mas você preferiu que eu não fosse nada.
Você disse que era sufocante ter a mim em plenitude. E eu entendi. Você poderia
ter tudo de mim, mas você preferiu ter nada.
E eu guardei tudo pra mim. Coloquei em uma gaveta,
junto com os porta retratos e a minha escova de dentes.
Guardei todos os eu
te amo que não pude mais responder, afinal de contas, eles eram todos seus.
Joguei os chinelos debaixo da cama, e às vezes eu
esbarro neles, mas você sabe que eu sempre preferi andar descalço pela
casa.
Guardei aquele bilhete amassado que dizia que eu
havia mudado a sua vida, dentro de uma agenda esquecida em algum canto, pra
quem sabe um dia poder olhar pra ele sem tanta dor.
Guardei tudo, mas
deixei tudo livre para ir.
Que sejamos felizes
assim.