quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O Bom Rapaz


Créditos de imagem: VianaArts
Um ditado popular afirma que o bater de asas de uma borboleta, poderia provocar um tufão do outro lado do oceano.
É eu sei quase todo mundo conhece essa frase do filme, “Efeito Borboleta”, assim como muitos diretores já retrataram em suas películas, “A Teoria do Caos” onde uma série de fatos aleatórios tomam proporções inimagináveis. O que poucos sabem, é que o efeito borboleta está presente na teoria do caos.
Bem, não importa. Eu também já ouvi dizer que, independente do local onde você estiver, haverá uma aranha a menos de dois metros de você. Eu poderia passar o dia falando a respeito das coisas que eu sei, das coisas que eu ouvi, mas essa não é minha intenção. São fatos aleatórios de qualquer forma, e se a teoria estiver certa, uma hora ou outra você vai acabar sabendo. Embora algumas coisas realmente fosse melhor nem saber.

O bom rapaz


Passou rapidamente pela mesa agarrando a alça da câmera fotográfica que repousava sobre sua pasta. Com a outra mão abria a porta no momento que o telefone tocou. Parou por um segundo, decidindo-se entre atender ao telefone ou simplesmente ignora-lo. Olhou de relance para o relógio de pulso Lacoste e conferiu as horas. Ainda dava tempo, contanto que não se demorasse. –Se for algum vendedor de seguros, vou desligar na cara! -Pensou consigo mesmo. Odiava chegar atrasado a um compromisso. Apoiou a alça da câmera nos ombros e pegou o telefone atendendo sem grande delicadeza na voz. –Noel.
A câmera fotográfica chocou-se ao seu corpo. Contrariando as tendências modernistas, Noel ainda preferia sua poderosa Canon EOS 500 analógica. Detalhes como a escolha do filme, a expectativa da revelação, a incerteza do ângulo, a capacidade de se obter uma boa luz, isso tudo era substituído pela emoção da espera, a magia de ver o filme sendo desenrolado, a luz vermelha anunciando o nascimento de uma nova foto. Ainda podia sentir os pelos se eriçarem quando via as imagens se formando sobre o papel fotográfico. Noel sabia que a modernidade das revelações digitais não poderia substituir essa sensação. Contanto, caso necessitasse de uma imagem rápida, poderia utilizar seu Iphone, com 8 megapixels de resolução e mais uma série de qualidades que poucas câmeras profissionais de alguns anos atrás sonhariam em ter.
A voz do outro lado da linha não pareceu acrescentar grandes noticias ao seu dia, vendo pela expressão de seu rosto refletida no espelho sobre a cristaleira. Sentiu uma gota de suor escorrendo pela têmpora direita e rapidamente enxugou-a com a manga da camisa. O calor era insuportável dentro do pequeno apartamento situado no 8° andar. Olhou para a mesa a procura do controle remoto do ar condicionado e não o encontrou. Lembrou-se que o ar estava quebrado a mais de uma quinzena. Soltou um palavrão entre os dentes enquanto continuava a ouvir as noticias pelo fone colado ao ouvido. Terminou a ligação com um quase imperceptível aceno de cabeça e colocou o fone de volta ao gancho. O aposento ficou em silêncio como se esperasse por uma reação de seu dono. Como nada aconteceu, a geladeira começou a trabalhar preguiçosamente. Mais uma vez, Noel secou a testa com a manga da camisa e voltou há consultar as horas. Haviam se passado apenas 2 minutos, mas o conteúdo do telefonema fora suficiente para arruinar ainda mais o seu dia. Praguejando baixinho, se dirigiu até a porta trancando-a e repousando novamente sua Canon sobre a pasta. Pegou a garrafa de vodka polonesa Sobieski e colocou uma dose generosa em um copo de plástico virando tudo o conteúdo de uma só vez. Normalmente Noel não era uma pessoa com hábitos de beber sem motivos, mas depois da noticia recebida, certas exceções eram permitidas. Sentiu o liquido descendo incandescente pela garganta e se chocar com o estomago vazio. Lembrou-se que não havia comido praticamente nada durante as ultimas 12 horas e o choque do álcool fez com o estomago revirasse. Correu para o banheiro e colocou tudo pra fora. Definitivamente, vodka quente e estomago vazio não era uma escolha das mais inteligentes. Fez uma anotação mental enquanto levantava o rosto do vazo sanitário, para não cometer o mesmo erro em um momento de estresse futuro. Enquanto trocava a camisa suja e lavava o rosto na pia do banheiro, considerou as possibilidades e concluiu que o dia estava perdido. Caminhou preguiçosamente até a cozinha e abriu a geladeira à procura de algo para comer. Encontrou um sanduiche de peito de peru com a data de vencimento um tanto quanto suspeita e uma caixa de suco de laranja que aparentava ter mesma procedência obscura. Preferiria um café bem forte, mas nem se deu ao trabalho. Pegou o suco e o sanduiche e fechou a porta da geladeira pensando em uma frase de Friedrich Nietzsche: “O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte.” A manhã seguinte colocaria um grande ponto de interrogação no final dessa frase.
***
Noel acordou com alegre som de São Paulo. Carros, buzinas, gente indo trabalhar. Quanto a isso nenhum problema, mas a mistura de vodka quente, peito de peru vencido e suco de laranja azedo faziam com que sua cabeça e seu estomago, travassem uma batalha infernal pela vida. Olhou-se no espelho e não sabia se ria ou chorava. A cor da sua pele era amarelada e os olhos duas pequenas crateras escuras. A barba hirsuta completava o pacote fantasmagórico. Observou a moldura descascada do espelho e ficou perdido em pensamentos durante algum tempo. –Homem de Neandertal-falou baixinho. Flashes das ultimas semanas passavam pela sua cabeça como um curta metragem em preto e branco. Considerou a possibilidade de se atirar pela janela antes do banho, mas não se animou muito. Optou por se barbear e tomar um banho quente antes de encarar o dia. Apesar do calor insuportável do dia anterior, o termômetro marcava agradáveis 15 graus. Essa era uma das coisas que fazia de São Paulo uma terra tão agradável. Noel suspirou e abriu o chuveiro. Soltou um palavrão quando o jato de agua gelada atingiu suas costas. Precisava se lembrar de mandar arrumar o chuveiro. De novo.
O banho foi mais rápido do que ele pretendia afinal agua gelada não era uma de suas formas mais agradáveis de iniciar o dia. Vestiu uma camisa limpa, penteou-se, pegou a Canon e saiu. Dessa vez o telefone não tocou e mesmo que tocasse já havia se decidido a não atende-lo.
Na entrada do elevador uma folha de sulfite escrita à mão “COM DEFEITO” acabou com as esperanças de uma descida suave. Noel não conseguia acreditar na sua incrível falta de sorte. Respirou fundo e iniciou a longa jornada pelos degraus. No meio do caminho o celular tocou. Por um momento considerou que sua sorte estava mudando, afinal dentro do elevador o sinal era péssimo. O som da banda Cold Play começou a encher os corredores com Paradise; “When she was just a girl. She expected the world. But it flew away from her reach. So she ran away in her sleep.”
-Oi mãe.
-Noel, a moça do banco ligou pra você novamente. Disse pra você passar lá para ver as taxas deles.
Noel começava a sentir a cabeça latejar. Queria descobrir uma forma de fazer com que parassem de ligar para sua mãe oferecendo seguros de vida, empréstimos e tudo mais. O bom coração da velha não deixava que ela faltasse com atenção com os vendedores e mesmo Noel tendo avisado que não precisava ligar para avisar daqueles recados, ela sempre ligava. Sabia que não adiantava contrariar, afinal ela era sua mãe, e era tudo pra ele.
-Tá bom mãe, eu vou tentar passar lá mais tarde.
-Você tem se alimentado direito? Com esse tempo você pode pegar um resfriado. Não fica tomando sereno em.
Há tempos Noel havia achado a resposta certa pra essa pergunta. Odiava mentir, então apenas se omitia da resposta.
-Olha mãe, o metro tá chegando, eu preciso correr. Beijos. Amo a senhora.
Noel desligou antes que a mãe pudesse responder. Sabia que não escaparia de um sermão sobre alimentação, vitaminas e tudo mais. Chegou ao hall de entrada do prédio e pegou a correspondência. Contas, contas, contas. Uma propaganda. O de sempre. Nada com se preocupar, a não ser o final do mês. Mas isso ficaria pra depois. Colocou tudo na bolsa se saiu para a rua. O tempo era fresco, embora o sol tentasse se sobrepor a uma camada densa de nuvens escuras. Acenou para um taxi e passou o endereço. Fechou os olhos e tentou cochilar enquanto aguardava chegar ao destino. Desistiu do cochilo segundos depois. Através do vidro, Noel passou a observar o taxista. Era uma espécie de caricatura mal feita do quadro “O Grito” de Munch. As bochechas macilentas e a pele oleosa pareciam escorrer sob os olhos. Os cabelos ralos e desgrenhados, pouco fazia para cobrir o couro cabeludo.
Noel desviou o olhar e passou a observar o céu à procura de helicópteros, outra de suas paixões. Fotografia e helicópteros. Sem perceber, passou a mão na alça da Canon à espera de alguma imagem interessante que pudesse registrar. Começou a pensar no filme “A teoria da conspiração” onde o taxista encenado por Mel Gibson, fala sem parar a respeito de helicópteros do governo americano. Não avistou nenhum helicóptero e nem sinais de que seu taxista caricatura estivesse a fim de papo.
No seu bolso, o Iphone começa a tocar. A musica da banda argentina Divididos encheu o carro com a guitarra contagiante de Ricardo Mollo em “Sisters”. Noel demorou um pouco a atender. Adorava aquela musica. Os olhos escorridos o encaravam pelo espelho retrovisor, com a clara expressão de quem diz: “Qual é meu? Atende logo essa coisa!”. Noel fez um gesto de desculpas e atendeu a ligação, acabando com solo de guitarra pela metade.
-Oi Me.
A voz do outro lado da linha fez Noel sorrir nervosamente.
-Sim, sei onde é... Eu iria ontem, mas ligaram cancelando o trabalho que eu tinha... Não, não sei por que... Também não sei quem ligou uma voz estranha... É, era bem perto mesmo... Tudo bem, eu chego rápido... Como? Café?... Sim, eu adoro cheiro de café.
Desligou o celular e ficou olhando o céu. –Nenhum helicóptero - pensou. Colocou o Iphone no modo Câmera e começou a fotografar para passar o tempo. Sempre conseguia boas imagens nos lugares mais inusitados. Utilizando o aplicativo Instagram, editou algumas imagens e esqueceu-se do tempo até chegar ao destino. Mais uma vez a caricatura de Munch o encarva pelo espelho. Noel o pagou, desceu do taxi e caminhou apressadamente pela rua até um café na esquina. Melissa tinha razão. O cheiro era maravilhoso.
***
Noel entrou no café. O ambiente lembrava a um Saloon do velho oeste, com portas de vai e vem, tons pastel nas paredes, sépia e detalhes em sisal. Replicas de archotes pendiam em arandelas nas paredes, com uma pequena luz amarelada tremeluzindo. O aroma de café moído na hora, chocolate amargo e incenso enchia o local. Fragmentos de luz do sol invadiam as frestas das janelas e entravam pela claraboia. Intrusos se esgueirando sorrateiramente entre a penumbra.
Um Jukebox tocava finos acordes de Led Zeppelin, “No Quarte”. Jimmy Page e Robert Plant davam o toque psicodélico perfeito.
Em uma das mesas do fundo, Noel avistou Melissa. Um feixe de luz incidia sobre seu rosto, fazendo pequenas sardas de sua pele brilharem. O branco dos dentes destoava em meio a lábios caprichosamente pintados de vermelho, que formavam um meio sorriso enquanto ela se distraia envolta em pensamentos segurando um pequeno biscoito coberto de chocolate e açúcar que acompanhava seu café. Os cabelos ruivos escorriam em cascata sobre os ombros, longas madeixas onduladas e cintilantes salpicadas por gotas de sol.
-Beijada pelo fogo. -Noel disse baixinho. Aproximou-se calmamente da mesa, bloqueando a luz. Uma sombra deselegante formada pelo contorno de seu corpo envolveu o rosto de Melissa.
Por um segundo ela permaneceu imperturbável, absorta em seu café. Só por um segundo Noel pode contemplar aquela cena. Tempo suficiente para registra-la em sua Canon. O movimento rápido com as mãos e o "clic" da foto foram quase imperceptíveis.
Melissa o olhou. Seus cílios eram pintados de preto. Os olhos verdes esmeralda sorriam para ele. Era possível enxergar a lente de sua câmera refletida em sua íris.
-Ei. –ela disse sorrindo.
-Ei. –Noel respondeu com mais um clic. O jogo de sombras e luzes formava o contorno de uma tatuagem Maori em seu rosto, excelente para uma foto. Era quase impossível resistir ao desejo de registrar cada movimento seu. Tinha certeza que as imagens iriam ficar perfeitas.
Melissa largou o café sobre a mesa e segurou em ambas as mãos. O toque macio fez Noel estremecer.
-Então era aqui? –Noel tentava observar o ambiente, absorver toda a informação possível. Adorava aquele tipo de lugar, aquele charme decadente que só os ambientes com decoração rustica conseguem criar.
-Sim. –Melissa confirmou sorrindo.
Noel olhou ao redor. O café estava praticamente deserto. Com a exceção de um garçom que secava copos no balcão, eles estavam sozinhos. Ficou imaginando se o Barista cuspiria no fundo da caneca para limpa-la igual aos filmes de bang-bang. Melissa o acompanhava com o olhar. Seus movimentos eram tão sutis e delicados como um exercício de yoga. Noel estava fascinado com tudo.
-Ei George Orwell, senta! Isso aqui não é 1984.
Noel sentou. A luz voltou a banhar o tronco de Melissa. Já se preparava para mais uma foto quando ela segurou novamente suas mãos.
-Eu senti sua falta. –Apesar do sorriso, as palavras eram tristes.
-Desculpe.
-Não precisa se desculpar. Só preciso que fique comigo.
Noel baixou os olhos para a mesa. Sua expressão lembrava a de um garotinho levado que acabava de tomar uma bronca. Sentindo como se algo travasse em sua garganta, Noel colocou a mão no bolso e tirou o Iphone. Deslizou algumas telas e encontrou o que procurava.
-Eu fiz algumas fotos. Aquelas que você queria.
Passou lentamente o aparelho para Melissa. Ela o segurou firmemente entre os dedos delicados. Noel ficou observando a graça dos movimentos, a suavidade do toque. O sorriso permanecia em seus lábios, a cada foto uma emoção diferente. –Ela tem o sorriso do pai - pensou entre um movimento e outro. Vendo Melissa absorta entre as fotos, pegou sua câmera e começou a fotografar. A luz, o ambiente, as cores, tudo era perfeito. Noel registrava cada detalhe, cada jogo de sombra, sentindo a pele arrepiar a cada clic da câmera. Já podia sentir a emoção do momento da revelação. A sala escura, o som dos negativos sendo desenrolados, a apreensão com a granulação de cada imagem, as cores surgindo suavemente como a progressão musical do Bolero de Ravel.
Noel tirava cada foto como se fosse a primeira e a ultima. Sentia-se novamente com 15 anos, com sua primeira Kodak nas mãos. A atenção, o momento certo, a respiração. Era como se o tempo parasse no momento de apertar o botão. E realmente, era assim que ele sentia. Olhando em seu visor, notou que restavam apenas três fotos para o fim do filme. Por um segundo teve vontade de fotografar aleatoriamente, as mesas, os vitrais, a claraboia. Resistindo ao impulso, respirou fundo e estudou atentamente a silhueta de Melissa. Era assim que gostava de observa-la. De longe, no escuro, invisível. Era linda. Das coisas que Noel gostava, Melissa ocupava o topo absoluto. As fotografias e os helicópteros vinham depois, embora ele sempre pensasse nos três juntos. Preparou a câmera para as ultimas três fotos. –Um excelente trabalho - pensou antes de dar o primeiro clic. As mãos de Melissa foram às escolhidas para a foto. Os leves frisos brancos nas unhas azuis faziam um contraste perfeito com a mesa de madeira marrom. O lóbulo da orelha esquerda foi o escolhido para a segunda. O brinco de brilhantes cintilou ao receber o flash. Finos fios de cabelos avermelhados se perdiam entre a curva do pescoço e o inicio do maxilar. Noel preparou a ultima foto. Sentiu o coração acelerar, o sangue correndo rápido pelo corpo, o calor invadindo o rosto. Apesar do frio, sentiu o suor brotar em sua testa, na palma de suas mãos, entre os seus dedos. A respiração era profunda e descompassada, sentindo-se um virgem diante de sua iniciação sexual. Limpou as mãos e posicionou a câmera afim de uma tomada ampla da imagem. Ajustou o foco e pressionou o dedo esperando o clic..
Melissa o encarou sorrindo antes que ele pudesse terminar. O sorriso fez com que seus músculos relaxassem, e uma onda de calor invadisse ainda mais seu corpo. Sentiu os olhos se encherem de agua, a foto perder totalmente o foco. Baixou a câmera e tocou em seus cabelos.
-Eu te amo Me.
As palavras vieram soltas, leves. Uma declaração de amor envolvente como uma brisa.
Melissa tocou em suas mãos beijando suavemente a ponta de seus dedos, de olhos fechados, como se as palavras estivessem flutuando a sua volta a espera que ela as pegasse.
-Eu também te amo pai.
Noel poderia ser o homem mais forte do mundo fora dali. Mas naquele momento, tudo que ele pode fazer foi sorrir.
-Eu iria vir ontem... –ele começava a dizer quando ela segurou mais forte e fez com se sentasse.
-Eu sei. Eu que pedi para ela te ligar.
-Mas por quê?
Ela sorriu. Um riso de menina levada, de alguém que aprontou alguma com o melhor amigo.
-Porque ontem a luz não estava boa.
***
Noel estava de volta ao apartamento. Sentia-se leve. E tinha inúmeros motivos para isso. À tarde com a filha, os sorrisos, as fotos.
As fotos!
Lembrou-se que ainda restava uma foto no filme. Não havia nenhum motivo especial para fotografar, mas ainda assim pretendia gasta-la para poder revelar o filme.
Ligou o som e colocou um velho CD que ganhou de presente da filha. Os bons anos da Jovem Guarda. “O bom Rapaz” de Wanderley Cardoso começou a encher a sala. Noel sorriu lembrando as palavras da filha.
Pegou a câmera novamente preparando-se para fotografar a janela e olhou o visor. O filme havia acabado.
Noel não sabia como, mas de alguma maneira a câmera havia disparado sozinha, ou...
-Melissa!
Correu para a sala escura de revelação. Seja um bom rapaz. -Melissa havia dito, prometendo uma surpresa. Mal podia esperar para revela-la...