sexta-feira, 12 de julho de 2013

Justificativa

"As vezes uma ideia vem em minha cabeça e fica rodando. Aparentemente uma ideia inocente, despretensiosa, como a maçã de Newton.
Mas só aparentemente.
E assim como a maçã, ela começa a amadurecer, a crescer a tomar forma.
Geralmente é assim que os meus contos nascem. De ideias aparentemente inocentes.
Mas as aparências as vezes engam. 
Minha cabeça trabalha em um ritmo muito rápido. As ideias vem e passam por uma série de "filtros" e eu consigo filtrar e saber se é uma ideia para ser usada em um conto novo, em um poema ou em um conto antigo.
As vezes dá medo disso.
Acontece também de as vezes eu "abandonar" um conto por um tempo, deixando ele órfão. 
Mas nunca deixo ele esquecido.
É como um relacionamento, que você precisa dar um tempo sozinho, um tempo pra respirar. Ele fica lá e eu aqui, ambos se olhando em silêncio, se respeitando, sentindo a falta do outro. 
Igual a raposa e o Pequeno Príncipe. "Se tu vens as 4, desde as 3 já sou feliz" lembra?
Até que chega uma hora em que a saudade aperta e você não resiste.
Você não quer ser feliz só as 4. Quer ser feliz o dia todo.
E então eu volto para ele que me recebe de braços apertos, como uma criança sorridente.
É inexplicável essa sensação.
As pessoas muitas vezes confundem a minha capacidade de escrever, com falsidade. Como se o fato de lidar bem com as palavras, fosse um pretexto para enganar, para fingir um sentimento.
Eu posso ter sentimentos confusos, sou confuso eu confesso e não espero que me perdoem por isso.
Mas não sou falso e nem uso as palavras para falsificar algo.
Quando eu as uso, uso para tentar colorir o dia de alguém."