E simplesmente se foi.
Não disse adeus, nem deu beijo de despedidas e nem se preocupou em pedir perdão pelas palavras não ditas.
Pegou suas coisas e se foi.
Talvez algumas palavras fosse até necessárias, um afago, um leve aceno com as mãos, mas preferiu assim.
Como um vento gelado que entra pela fresta da porta e você rapidamente a fecha, cortando a corrente de ar.
Mas a sensação do vento continua.
E mesmo indo embora assim, mesmo fechando a porta tão abruptamente, o frio ainda permaneceu por alguns dias.
As folhas lá fora caiam em pares, em trios, trazendo algumas lembranças.
Mas já era tarde.
Já não haveria mais volta, nem segunda chance, nem uma mão a qual se agarrar no escuro, para evitar uma queda, ou simplesmente para dar segurança.
O que ficou de tudo foram os momentos.
Não os bons, nem os ruins, mas todos os momentos.
Agora aqui dentro, quando chega a noite, as vezes a fresta da porta ainda está aberta, as vezes a casa está deserta, e aquele vento invade todos os cômodos.
Eu abraço meu corpo sozinho, me embalo mansinho e me lembro de você.
