segunda-feira, 29 de julho de 2013

Dúvida

Se tu vens as 4..
Mas se tu não vens? O que faço?
Espero as 5, as 7 ou até mais?
Ou olho pra trás?
Fico em paz?
Ou vou atrás?

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Tomando Chuva

Honre seus compromissos, pague suas contas, assuma seus erros.
Seja homem e seja mulher o suficiente para pedir perdão quantas vezes sejam necessárias.
Respeite os mais velhos, deixe seus pais orgulhosos, seja exemplo para os seus irmãos.
Conquiste coisas grandes e tenha orgulho das conquistas pequenas.
Ajude as pessoas sempre que elas precisarem, não espere nada em troca e não de nada em troca.
Ofereça o melhor de si todos os dias, sorria para as pessoas na rua, comprimente os desconhecidos, de bom dia, de boa tarde, de boa noite. Distribua boas vibrações.
Interesse-se pelos seus amigos, pergunte do seu dia, e olhe-os nos olhos enquanto falam com você.
Reserve um momento só seu sempre que poder, fique quieto no canto, não perca a paciência com as pessoas que ama, não grite, não use palavras duras. As palavras ferem mais que qualquer coisa.
Mas se perder a cabeça, curve-se e peça perdão. Peça de coração, de alma lavada, sem armaduras, sem fechaduras, sem mascaras. As pessoas que te amam vão saber quando você está falando a verdade e com certeza vão perdoa-lo. E você deverá fazer o mesmo. Tanto por você quanto pelos outros. O perdão só acontece de dentro para fora.
Não seja tão duro com você sempre. Seja mais leve, permita-se extravagâncias, permita-se ser criança, deixe ser feliz.
Saia do seu mundo às vezes, veja lugares novos, veja lugares antigos e veja onde você se encontra agora. Pare durante a noite e olhe as estrelas. Elas sempre estão lá e a gente sempre com essa nossa mania de olhar para o chão.
Caminhe de cabeça erguida, não a curve quando encontrar alguém. Olhe sempre nos olhos, mantenha as costas retas, de passos firmes e apertos de mãos decididos.
Quando começar a chover, estufe o peito e receba-a com alegria. Lembre-se que algumas pessoas sentem a chuva, outras, só se molham.

Seja aquele que sente. Seja diferente nem que for só um dia.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

O Homem Que Não Fotografava


“Se essa rua, se essa rua fosse minha.
Eu mandava, eu mandava ladrilhar.
Com pedrinhas, com pedrinhas e brilhantes.
Só pro meu, só pro meu amor passar.”


Olhou no relógio de pulso e conferiu as horas mais uma vez automaticamente. Seu voo estava atrasado e deveria demorar ainda uns tantos minutos até conseguir embarcar. Passou as mãos pelo cabelo e em seguida cofiou a barba hirsuta enquanto se encaminhava lentamente para junto do balcão de atendimento em busca de alguma vaga informação a respeito do tempo que ainda levaria até conseguirem despacha-lo para seu destino.
Parou no meio do caminho ao observar um casal que se auto retratava com um celular de ultima geração, com câmera frontal, flash de led e todas as bugigangas que colocam nos aparelhos de hoje em dia, e a todo o momento fazia poses e biquinhos para a câmera. Ficou olhando a cena estarrecido pensando no resultado daquelas fotos nas redes sociais, as legendas de juras de amor eternas que não duram até a próxima estação, os comentários dos amigos desejando boa viagem... Raul foi despertado do seu devaneio pelo vibracall do seu celular, um Samsung E1207, que tinha como principal atrativo o fone de ouvido para rádio FM, agenda, alarme, calculadora e cronômetro. “Bem mais do que eu realmente preciso”, chegava a afirmar diversas vezes referindo-se ao cronômetro.
Atendeu ao telefone com a voz um pouco rouca, dando a impressão que acabara de acordar. A pessoa do outro lado da linha falou depressa, e Raul apenas maneou a cabeça, anuindo para um interlocutor invisível.
Antes de encerrar o telefonema com um “tchau” seco, teve sua atenção voltada para as costas de uma garota que passava em sua frente dirigindo-se a área dos guichês das companhias aéreas.
Contrastando com sua pele branca, as linhas bordadas de preto revelavam uma das mais célebres frases do poeta carioca Vinícius de Moraes tatuada em suas costas nua.
“A vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Justificativa

"As vezes uma ideia vem em minha cabeça e fica rodando. Aparentemente uma ideia inocente, despretensiosa, como a maçã de Newton.
Mas só aparentemente.
E assim como a maçã, ela começa a amadurecer, a crescer a tomar forma.
Geralmente é assim que os meus contos nascem. De ideias aparentemente inocentes.
Mas as aparências as vezes engam. 
Minha cabeça trabalha em um ritmo muito rápido. As ideias vem e passam por uma série de "filtros" e eu consigo filtrar e saber se é uma ideia para ser usada em um conto novo, em um poema ou em um conto antigo.
As vezes dá medo disso.
Acontece também de as vezes eu "abandonar" um conto por um tempo, deixando ele órfão. 
Mas nunca deixo ele esquecido.
É como um relacionamento, que você precisa dar um tempo sozinho, um tempo pra respirar. Ele fica lá e eu aqui, ambos se olhando em silêncio, se respeitando, sentindo a falta do outro. 
Igual a raposa e o Pequeno Príncipe. "Se tu vens as 4, desde as 3 já sou feliz" lembra?
Até que chega uma hora em que a saudade aperta e você não resiste.
Você não quer ser feliz só as 4. Quer ser feliz o dia todo.
E então eu volto para ele que me recebe de braços apertos, como uma criança sorridente.
É inexplicável essa sensação.
As pessoas muitas vezes confundem a minha capacidade de escrever, com falsidade. Como se o fato de lidar bem com as palavras, fosse um pretexto para enganar, para fingir um sentimento.
Eu posso ter sentimentos confusos, sou confuso eu confesso e não espero que me perdoem por isso.
Mas não sou falso e nem uso as palavras para falsificar algo.
Quando eu as uso, uso para tentar colorir o dia de alguém."

quinta-feira, 11 de julho de 2013

I See You

Eu te vejo. Mesmo quando você pensa que esqueci, mesmo quando eu fico longe, fico mudo,
fico surdo. Eu vejo você mesmo quando você não me vê.

5° Motivo.

E eu fico torcendo pra que você leia, e entenda. E saiba que o motivo é você!
E que ao ler você sinta minha falta, como sabe que eu sinto de você.
E sentindo minha falta, talvez resolva me ligar, me escrever, me encontrar novamente.
Pra que eu e você possamos de novo, ser a gente.

domingo, 7 de julho de 2013

Porta Aberta

E simplesmente se foi.
Não disse adeus, nem deu beijo de despedidas e nem se preocupou em pedir perdão pelas palavras não ditas.
Pegou suas coisas e se foi.
Talvez algumas palavras fosse até necessárias, um afago, um leve aceno com as mãos, mas preferiu assim.
Como um vento gelado que entra pela fresta da porta e você rapidamente a fecha, cortando a corrente de ar.
Mas a sensação do vento continua.
E mesmo indo embora assim, mesmo fechando a porta tão abruptamente, o frio ainda permaneceu por alguns dias.
As folhas lá fora caiam em pares, em trios, trazendo algumas lembranças.
Mas já era tarde.
Já não haveria mais volta, nem segunda chance, nem uma mão a qual se agarrar no escuro, para evitar uma queda, ou simplesmente para dar segurança.
O que ficou de tudo foram os momentos.
Não os bons, nem os ruins, mas todos os momentos.
Agora aqui dentro, quando chega a noite, as vezes a fresta da porta ainda está aberta, as vezes a casa está deserta, e aquele vento invade todos os cômodos. 
Eu abraço meu corpo sozinho, me embalo mansinho e me lembro de você.